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Ago 07

Só mesmo uma terra como Vizela dos tempos idos venceria aquele 5 de Agosto de 1982

Os 25 anos, as bodas de prata, de alguém ou de algo é sempre uma data a merecer as naturais referências. Hoje passa um quarto de século sobre uma das datas mais importantes da luta de Vizela: o 5 de Agosto. Sem qualquer evocação, o 5 de Agosto passou à história. Vizela já não é o que era.

Que povo (sem armas a não ser a “arma da razão”) era capaz de enfrentar, na defesa da sua terra, batalhões de soldados armados com bala real, com onze chaimites, viseiras, escudos e bastões da policia de choque, cavalaria com cavalos e lagartas, cães-policias e policias-cães?

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A resposta é só uma: o povo de Vizela!

A invasão militar que os vizelenses sofreram em 1982 só teve algo comparável em território nacional: o 25 de Abril de 1974, naturalmente, essa revolução militar com outras proporções mas com objectivos idênticos: liberdade e progresso.

A resposta que as «forças invasoras» receberam dos vizelenses que mais tarde ganhariam um Município novo na rua, só foi possível porque na década de 80 Vizela era, talvez, uma das terras mais unidas do Mundo. Sim podemos dizê-lo «do Mundo» porque as imagens dessa união correram o planeta e deixaram todos pensativos. Como é possível que eles sejam tão unidos.

O jornalista Carlos Magno fez a comparação de Vizela com a pequena aldeia gaulesa de Asterix, “destemida e heróica na luta contra as invasões romanas”.

Os “5 de Agosto” seguintes aos de 1982 serviram como datas de manifestações, uma forma de manter viva a chama, com organizações que liderei, outras promovidas pelo Notícias de Vizela e outras pela Pesada.
Pessoalmente entendo que, a partir de 1998, cabia ao Município a promoção de algo evocativo ao 5 de Agosto de 82. Tanto mais este ano…na bodas-de-prata. Acho mesmo que essa era a sua obrigação. Mesmo Vizela não sendo hoje, em questões de união, o que era (está muito longe disso).

Pela nossa terra paira a ideia de que a luta desenfreada por cargos e postos, partidarites e afins foi o veneno letal para apagar essa união de outrora.
É verdade que estamos estruturalmente mais ricos, mas visivelmente mais pobres nas regras que outrora eram ditadas pelo coração e pela paixão e por elas alcançamos tão importantes vitórias como naquele inesquecível dia de Agosto e seis anos depois em Março.
Como canta Luís Represas: «Se outros calam cantemos nós» - parabéns 5 de Agosto, parabéns grande Povo de Vizela. MANUEL MARQUES


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MEMÓRIAS

1 - Homens como Manuel Campelos, Francisco Ferreira, Abel Pinto (f), Maria José Pacheco, José Maria Ferreira, José Manuel Couto, Dinis Costa, José Manuel Marques, Silvino Teixeira (f), José Borges, Pedro Paulo (f), Pedro Marques, Domingos Pedrosa, Camilo de Oliveira, Joaquim Costa, José Manuel Faria, Salvador Caeiro Brás (f), Lopes Vaz, José Ribeiro Ferreira (f), Belmiro Martins, Quim Bombeiro, Dino Freitas entre outros deram voz nas manifestações do 5 de Agosto que mantiveram acesa a chama da luta. Recordo-me ainda de Américo Machado, ex-presidente da Junta de Freguesia de Santo Adrião e actual funcionário da EB 2,3 de Vizela, pois, contrariamente a outros autarcas que demonstravam receio das represálias dos municípios de origem, subia ao coreto para dar a cara. Um homem íntegro e corajoso.

2- O actual presidente da Câmara Municipal de Vizela e uma das peças importantes na restauração do concelho teve o seu baptismo político numa dessas manifestações do 5 de Agosto. Em 1982, Francisco Ferreira estava na sala de urgência do Hospital de Vizela a atender os feridos que chegavam do centro da vila.

3 – Ao fim de muitas horas de disparos e luta, a composição (comboio) que os vizelenses retinham na estação da CP, estando os carris retorcidos depois dos braços da população encetarem o seu levantamento, foi retirada de Vizela.

4 – Um jovem de Moreia de Cónegos foi atingido por uma bala real disparada pela GNR. Foi internado e dias depois recebeu alta hospitalar.

5 – Durante a noite um grupo de vizelenses, utilizando armas artesanais, obrigaram a GNR a retirar do centro da Vila, ou se quiserem do seu quartel-general, a estação da CP.

6 – Ao largo fronteiriço à estação foi, mais tarde, dado o nome de “Largo 5 de Agosto”. O ano passado o Café Lopes daquele local foi tomado por uma nova gerência que lhe deu o nome de “Café 5 de Agosto”.

7 – Uma das manifestações do 5 de Agosto coincidiu com a saída da Marcha Gualteriana em Guimarães, concelho do qual Vizela pretendia desmembrar-se. Os três canais de televisão – RTP, SIC e TVI -, mais as rádios nacionais e jornais ignoraram a Marcha Gualteriana e vieram dar cobertura à comemoração do 5 de Agosto que decorreu no jardim Manuel Faria. O alarido em Guimarães foi enorme até porque naquela altura a Marcha Gualteriana comemorava 90 anos.
Por Vizela era necessário haver o cuidado de meter «sumo» nos cartazes que anunciavam as comemorações do 5 de Agosto de forma a que os órgãos de informação lhe dessem trato e não os mandassem directamente para o cesto dos paíes.. Não se devia escrever no cartaz «comemoração» mas sim «MANIFESTAÇÃO». E devia-se acrescentar no mesmo que estava em causa mais um BOICOTE ELEITORAL ÀS PRÓXIMAS ELEIÇÕES. Era matéria suficiente para nenhuma redacção ficar indiferente.

8 – O cantor Dino Freitas, de Guimarães, cantou em várias comemorações do 5 de Agosto com a bandeira do concelho de Vizela sobre os ombros coragem que pode ter interferido com a sua carreira no concelho vimaranense. A televisão filmou, e em Guimarães houve quem não gostasse de o ver apoiando uma causa rival.

9 – A Pesada realizou cortejos sobre o 5 de Agosto. Exposições de recortes de jornais (há vizelenses que guardaram tudo publicado na altura) e de fotografias fizeram também parte de muitas das evocações dos 5 de Agosto.

10 –As Juntas de freguesias de Vizela colaboravam com donativos na realização dessas manifestações.
Só mesmo uma terra como Vizela dos tempos idos venceria aquele 5 de Agosto de 1982 

Parabéns 5 de Agosto, parabéns grande Povo de Vizela. MANUEL MARQUES


publicado por José Manuel Faria às 17:34

4 comentários:
Um artigo soberbo de MMM sobre a união vizelense de outros tempos.

Bodas de Prata esquecidas, porquê?
José Manuel Faria a 5 de Agosto de 2007 às 17:48

É, na verdade, um pouco desconcertante ouvir/ler quem demonstra tanta emoção sobre aquelas que parecem ser, também, as suas memórias vivas desses tempos idos.

Como Vimaranense, tenho sentimentos equívocos sobre estes relatos, dos quais apenas vivi as crónicas e imagens televisivas da época.

Já aqui o disse: não contesto o direito de autonomia dos Vizelenses nem de qualquer outra autarquia nacional, desde que devidamente fundamentada, mas Vizela é uma má lição de democracia. Porque da luta pela autonomia passou-se ao jugo sobre freguesias de diversos concelhos que nunca pretenderam autonomia, e nunca vi esclarecida a questão dos seus inexistentes referendos internos, que deveriam ter existido.

O centro de Vizela ganhou, inquestionavelmente. com a autonomia. Vizela cresceu e tem um aspecto menos parado no tempo.

Mas, tal como esta questão das comemorações do 5 de Agosto, há certos pormenores fulcrais por clarificar.

Talvez seja a velha questão dos danos colaterais inerentes a qualquer revolução.

Sim, porque o 5 de Agosto, em Vizela, foi efectivamente, não só por tudo o que me lembro, mas também por tudo o que já li, uma Revolução.



jmsmachado a 5 de Agosto de 2007 às 18:57

Caro amigo todas as freguesias foram favoráveis ao Concelho - Assembleias de freguesia - os referendos à altura não eram necessários nem vinculativos.

Foram momentos populares revolucionários e unitários muito longe das problemáticas e oportunismos de hoje!
José Manuel Faria a 5 de Agosto de 2007 às 21:38

Do 5 de Agosto só ouço histórias...
1/2Kg de Broa a 6 de Agosto de 2007 às 15:34

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