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Set 07

E é por isso que, apesar da violência terrorista da repressão as forças democráticas resistem com grandes acções de massa, obtêm os melhores resultados de sempre nas ultimas eleições, derrotam nas montanhas as sucessivas investidas militares que há 40 anos visam destruir as forças guerrilheiras. E é por isso que, contra a vontade de Uribe e do seu patrão norte-americano, se abre hoje a possibilidade de concretização do «acordo humanitário» proposto pelas FARC de troca de prisioneiros por combatentes presos nos cárceres governamentais. Não se trata ainda da Paz, «uma paz verdadeira, assente necessariamente na justiça social» que os revolucionários colombianos há muito propõem. Mas em qualquer caso um passo na direcção certa. Por isso, em lugar de dançar a música de Washington e de caluniar e criminalizar os comunistas e demais revolucionários colombianos, os governos deveriam considerar seriamente a Carta Aberta de Raul Reis de 6 de Setembro e reconhecer às FARC a sua qualidade de força beligerante. É isso que deveria fazer o Governo de Portugal, um país que teve a sua própria revolução libertadora e cuja Constituição «reconhece o direito dos povos ( ...) à insurreição contra todas as formas de opressão». Presidindo neste momento à União Europeia, daria assim uma valiosa contribuição para a solução do conflito colombiano. É uma questão de vontade política, coragem e respeito pelos valores de Abril.

in Avante

Dirigente do PCP em Defesa das FARC/EP!

publicado por José Manuel Faria às 17:57

14 comentários:
Caro amigo, gostava de ver mais clara a sua opinião. concorda com o escrito ou não?
vermelho vivo a 17 de Setembro de 2007 às 01:21

De modo algum, as Farc têm de largar as armas e ilibertar os seus presos. As Farc são um grupo terrorista não revolucionário, ligado ao tráfico de cocaína.

Devem desmantelar-se e integrar o sistema.

Se o sistema para as Farc é injusto, têm de o combater através da democracia política e não da lei da bomba.

A prova de que o PCP apoia as Farc.
José Manuel Faria a 17 de Setembro de 2007 às 12:14

Meu Caro prof. Faria:

Com a ligeireza que estabeleces uma relação entre as FARC e o terrorismo, permites que outras relações igualmente fáceis e igualmente falciosas se estabeleçam, a teu desfavor. Por exemplo, sugerir que o que tu esceves é o mesmo que o Bush diz e insinuar que entre o qu tu pensas e ele pensa não há diferença.
igrejavelha a 17 de Setembro de 2007 às 12:31

Reconhecer as Farc como uma força beligerante!

Uma organização que rapta candidata a uma eleição presidencial.

Bush é um assassino um terrorista. Não faça fugas para a frente.
José Manuel Faria a 17 de Setembro de 2007 às 12:43

Meu Caro Faria:

Se leres, ou releres atentamente, os Cem Anos de Solidão, do Garcia Marques, verás que a Colombia vive em estado de guerra há muito, muito tempo. Se te deres ao trabalho de ler outros autores sem ser os do costume, incluindo na blogosfera, verás que há muitos mortos, entre deputados, candidatos autarcas de esquerda que enchem os armários dos governantes colombianos. E se vires bem, também verás que há propostas concretas para a troca de prisioneiros, porque é disso que se trata.

Também para Salazar e Caetano os guerrilheiros que combatiam nas ex-colónias eram terroristas. Coisas que convém à esquerda não esquecer, alinhando no coro da direita comparando o que não se pode comparar: a luta dos oprimidos é a reacção aos opressores.

Obviamente, dizer isto não pode confundir-se com outra coisa que não seja um olhar atento sobre uma realidade social, política e militar cujos contornos nos escapam. Julgar a partir do que diz uma das partes leva a injustiças de apreciação.
igrejavelha a 17 de Setembro de 2007 às 13:02

Comparar a Colômbia a Angola antes da independência?

Assim não há hipótese de diálogo.
José Manuel Faria a 17 de Setembro de 2007 às 14:58

Prof Faria:

Não me ponha na boca palavras que eu não disse. Não comparo a Colombia de hoje com a Angola, ou a Guiné ou Moçambique de antes de 1974! Apenas disse que as etiquetas que alguns colam aos outros, no caso a etiqueta que Bush e afins colam aos guerrilheiros das FARC, têm o objectivo de os desacreditar, de os criminalizar, como condição indispensável para jutificar a guerra que lhe movem. Foi assim no passado e será assim sempre.

Tu, como homem livre, deves reflectir sobre as teses que te são sugeridas e não aceitá-las como verdades indiscutíveis. Por exemplo, pões em dúvida, em posta acima, que na Colombia há uma guerra civil e mais não fazes do que reproduzir o discurso dos que ao apelidar a guerrilha de terroristas mais não estão do que a impedir que sobre a situação interna da Colombia haja um olhar que não o oficial.

Não vás no que te digo, consulta a história e a comunicação social independente. Recua a 1984 e verás que as FARC estabeleceram com os governantes de então uma trégua, baixando as armas e propondo a troca de prisioneiros. O governo rompeu unilateralmente a trégua e mais de 3000 políticos e camponeses tidos por simpatizantes da guerrilha foram assassinados pelo exército e para-militares. Já dizia Brecht, todos criticam o rio de águas turbulentas que galga as margens e ninguém fala sobre o espartilho que essas mesmas margens causam.

Enfim, caro Faria, como disse o O'Neil, uma coisa é o que pensa o cavalo; outra quem está a montá-lo.

igrejavelha a 17 de Setembro de 2007 às 16:11

"Também para Salazar e Caetano os guerrilheiros que combatiam nas ex-colónias eram terroristas. Coisas que convém à esquerda não esquecer, alinhando no coro da direita comparando o que não se pode comparar: a luta dos oprimidos é a reacção aos opressores." Quem disse isto?

Na Colômbia há eleições 4 em 4 anos.

Existe os fascistas que assassinam e os m-l que respondem raptando e assassinando, o governo entra na "guerra", porque há 2 extremos que se digladiam.

Não faz sentido um grupo que se diz de esquerda comunista usar as armas contra o regime , este pode ser de direita , mas é com a arma do voto que se alcança o poder.

Gostava de saber a posição do PCP se um grupo guerrilheiro actua-se para combater a monarquia feudalista e anti-democrática da Coreia do Norte.


Os pressupostos mudavam todos, ou não?

José Manuel Faria a 17 de Setembro de 2007 às 17:49

Tu, Faria, segregas preconceito anticomunista por todos os poros, mesmo que penses que não.

Repara no que escreves: o regime da Coreia do Norte é feudal e por aí fora; o da Colômbia é simplesmente de direita. E é assim, não porque assim seja de facto, mas porque convém ao teu raciocínio.

E no entanto eu sei que o que escreves não é bem o que pensas. Preferes provocar, alimentar polémicas. Mas há limites que nenhum jogo desses deve transgredir - o do rigor.

Na Colômbia, e é dela que se trata e não de outro país, não há liberdades para todos e não é por haver eleições, ou falsas eleições, que um regime autoritário e repressivo se transforma em democrático. A Frente Patriótica, onde até havia militantes próximos das tuas actuais ideias, foi dizimada e obviamente, para sobreviver, tem de lutar e lutar de armas na mão.

Obviamente, perceber o que se passa na Colômbia não é o mesmo que apadrinhar o que lá se faz. Mesmo com dúvidas eu estou sempre na margem esquerda e com quem está nessa margem, combatendo a direita e as lições de moral e democracia que pretende dar ao mundo.
igrejavelha a 18 de Setembro de 2007 às 17:26

Igreja Velha que tipo de regime é o da Coreia do Norte?

A pergunta só por si faz do perguntador um anti-comunista.

Não consigo perceber o que é o regime norte-coreano tem de bom. Nada.

Quais os segredos da Coreia do Norte que tanto agradam ao PCP.

Só se for o anti-americanismo, mas actualmente há regimes mais anti-americanos, os radicais islamicos.

Caro amigo, para mim não pode haver Comunismo sem liberdade política, sem vontade de liberdade de opção política.

Sim não é leninismo, não sou Leninista, sou marxista e neocomunista.

Estou contra o centralismo democrático leninista.

Penso que se Lenine fosse vivo, hoje não seria Leninista.

As experiências internacionais não foram felizes .

Não sou anti-PCP, sou não PCP que é bem diferente.

Entrei para o PCP após a queda do Muro de Berlim - 1994/2004.

Para o PCP este ainda não caiu, bem não digo todos os comunistas do PCP,

Há um grupo muito minoritário que pensa de modo diferente, mas enquanto este grupo não tiver pelo menos 30% de membros, o PCP não mudará.

Mas quem sou eu para querer mudar o PCP, quem não está bem sai .
José Manuel Faria a 18 de Setembro de 2007 às 19:36

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