16 de Setembro de 2011



In DDV

 

ddV – Dinis Costa, que balanço faz deste seu mandato?

 

DINIS COSTA, PRESIDENTE DA CÂMARA DE VIZELA - É um balanço muito positivo, apesar das dificuldades que atravessamos. Não é fácil gerir um Município nesta fase conturbada em termos sociais e económicos. Mas, nestes momentos, gosto sempre de me lembrar de Séneca que escreveu o que, no fundo, todos sabemos e que acaba por ser algo mais que um cliché ou um lugar comum: “É nos momentos de crise que se temperam os grandes destinos”. Tenho essa noção exacta e é com essa certeza que vou trabalhando todos os dias, tentando “inventar” soluções, projectos alternativos a outros mais dispendiosos e impensáveis nos dias que correm.
Penso que não serei a melhor pessoa para fazer um balanço ao meu próprio trabalho e ao de toda a equipa que lidero. O balanço deve ser feito pelos vizelenses, por todos aqueles que sentem no seu bem-estar diário as transformações que Vizela tem vivido nos últimos dois anos.

- Mas sente-se satisfeito com o seu trabalho?
- Estou muito satisfeito pelo trabalho que temos realizado. Fizemos obras que os vizelenses esperavam há muito e com as quais os vizelenses se identificam. Os próximos dois anos vão ser árduos. Mas, arregaçamos todos os dias as mangas para fazer mais e melhor por Vizela. Para tornar esta Cidade e este Concelho algo de referência internacional.

- O que destaca?
- Em termos de projectos, gostaria de destacar as Termas de Vizela, o Campo de Peter e Minigolfe, a elevação de Vizela à categoria de Cittaslow, a Marginal Ribeirinha, a Praia Fluvial, a Avenida dos Bombeiros… E, não posso deixar de referir o alto investimento do QREN.

– Quais têm sido as tarefas mais difíceis de executar?
- Todas as tarefas que envolvam disponibilidade financeira. Essas são, sem dúvida, as mais difíceis de executar neste momento.

- Faz muitas contas?
- Sim. Temos que fazer contas e mais contas, esticar dali, tirar de acolá. Mas, com engenho e arte tudo se consegue.

– No dia 5 de Agosto elogiou o seu grupo de vereadores (Alberto Machado, Dora Gaspar e Vítor Hugo) que o acompanham na Câmara. O que significou esse reconhecimento público?
- Significou, exactamente, isso: um reconhecimento público pelo excelente trabalho em equipa que realizam.

- Como considera esse grupo?
- Somos um grupo forte e coeso e só com esta força e coesão é que se consegue vencer os tempos conturbados que vivemos e iremos continuar, infelizmente, a viver no futuro.

- Os "méritos" não são todos seus?
- Alguém escreveu um dia que “sozinho, não sou nada, acompanhado, sou tudo”. Sei que só sou o que sou por causa da equipa que tenho e subscrevo inteiramente o que Mao Tsé-Tung disse: “Só progride quem é modesto. O orgulho obriga a dar passos para trás”.

– Qual foi o melhor momento que viveu desde que foi eleito?
- Vivo, intensamente, todos os momentos, porque são todos únicos, especiais. Cada um deles conta um pouco de história, da nossa história que se vai reescrevendo todos os dias. Contudo, não posso deixar de destacar a assinatura do acordo com a Companhia dos Banhos de Vizela, um dos passos mais importantes tendo em vista a abertura das Termas de Vizela.

– E o pior?
- Não há momentos piores. Há, sim, momentos menos bons. E, até esses são importantes. São as tais pedras que Fernando Pessoa dizia apanhar ao longo de todo o seu caminho, porque era com elas que faria, um dia, um castelo.

- Por falar em castelo: o que vai fazer do Castelo da Ponte?
- O Castelo da Ponte é uma referência histórica para o concelho de Vizela, motivo pelo qual deve ser tratado com a importância que merece. Neste momento, o Executivo municipal está a reavaliar este processo e a única certeza que tem é que não poderá pôr em prática o projecto pensado inicialmente para aquele espaço.

- Porquê?
- Porque temos de ter em consideração que implicaria um investimento superior a cinco milhões de euros.

– Qual foi a acção mais preponderante que desenvolveu até hoje (enquanto Presidente) em prol do concelho?
- Talvez a luta que travei para não perdermos as Termas de Vizela. Foi longa, mas em glória.

- Acha que amanhã os vizelenses se recordarão disso?
- Sei que os vizelenses irão, para sempre, reconhecer esse esforço que perpetrei em prol do futuro das Termas.

- O que gostaria de ter feito e ainda não fez?
- Tanta coisa! (risos) Ainda há tanto a fazer. Alguns desses projectos que quero realizar são conhecidos, outros nem tanto. Mas, como não gosto de fazer promessas vãs, o tempo e a vida mostrarão o que ainda quero e pretendo fazer.

– Acredita mesmo que as Termas de Vizela e o Hotel vão reabrir?
- Claro que vão reabrir. Há um concurso público internacional que está a decorrer…Afastada a hipótese de concepção, construção e exploração do Estabelecimento Termal de Vizela a título próprio, dada a indisponibilidade de recursos económicos e inexperiência no sector, restou a hipótese vertida no contrato de cessão, de recurso à constituição de uma Parceria Público Privada.

- Como será?
- O recurso a PPP de tipo institucionalizada, que implica a criação de uma entidade detida conjuntamente pelo parceiro público e o parceiro privado, permite ao parceiro público manter um nível de controlo relativamente elevado sobre o desenrolar das operações, que pode adaptar ao longo do tempo, em função das circunstâncias, através da sua presença entre os accionistas e nos órgãos de decisão da entidade comum.

- E que mais?
- Permite igualmente ao parceiro público desenvolver a sua experiência própria da exploração do serviço em causa, com recurso ao apoio de um parceiro privado.

- E quando teremos novidades?
- Neste momento está decorrer o concurso público, com publicação internacional, que terá o seu terminus no próximo dia 20 de Outubro”.

– A praia fluvial não é um tiro no escuro? Acha que o rio vai ter condições para ser usufruído por quem frequentar a praia fluvial?
- Não considero um tiro no escuro, bem pelo contrário. Considero que este é um dos projectos mais emblemáticos do meu mandato e um dos mais desejados por todos os vizelenses, sobretudo os que mais recordam os tempos que passaram na antiga praia fluvial de Vizela. Contudo, não posso deixar de afirmar que este processo ainda não está concluído e só obterá o verdadeiro sucesso quando se verificarem três factores essenciais:
- O primeiro é o terminus da construção do bar da praia fluvial que se encontra em bom andamento e que vai criar mais um espaço de lazer para a Cidade.
- O segundo passa pela conclusão do processo de acreditação da praia fluvial como tal, que se encontra a decorrer na ARH e que após as sucessivas análises da água se comprava que vai por um bom caminho, porquanto todas as análises são positivas.
- O terceiro decorre da conclusão da infraestrutura de drenagem e tratamento das águas residuais, ao encargo de uma entidade supra-municipal (Águas do Noroeste), construção essa que permitirá a Vizela caminhar no sentido da sustentabilidade ambiental e aproximar-se das metas estipuladas a nível nacional.

– Sente que os vizelenses estão satisfeitos com a Câmara?
- Mais uma vez, não devo ser eu a responder a essa questão, antes os próprios vizelenses. Mas, acredito que estejam satisfeitos pelo trabalho que estamos a realizar.

– Quais são as principais queixas que lhe chegam dos munícipes?
- Não temos tido queixas de maior… As normais, porque é impossível agradar a gregos e a troianos. Mas, o feedback que tenho tido é a de uma satisfação geral da população. O povo de Vizela reconhece os seus líderes e sabe o quanto o meu Executivo trabalha em prol da sua terra.

– Que importância atribui ao papel da Oposição?
- Volto a parafrasear Mao Tsé-Tung para lhe responder: ser atacado pelo inimigo não é uma coisa má, mas sim uma coisa boa. Não que eu considere a minha Oposição uma inimiga, apenas pessoas que têm um diferente ponto de vista, que vêm a política de uma forma diferente.

- Aceita bem as críticas?
- Todas as críticas são positivas, quando são construtivas. E, é esse o papel que deve ter a Oposição.

- Reconhece que a Oposição tem tido um papel positivo?
- Sim, reconheço isso na Oposição de Vizela.

– Tem-lhe sido fácil dirigir as reuniões do executivo enfrentando Miguel Lopes, António Manuel Pacheco e Maria do Resgata na bancada da Oposição?
- Acabei de responder a essa questão…

– Há quem diga que devido à falta de verbas as câmaras estão esvaziadas de poder, quase passam despercebidas. Concorda com esta análise?
- As Câmaras não estão vazias de poder, estão vazias de dinheiro. É completamente diferente. Mas, sou crente. E sou dos que acreditam que vamos dar a volta por cima. Não vai ser fácil, mas vamos conseguir.

– Como define o seu perfil enquanto Presidente?
- Sou um homem do povo. Um homem de trabalho. Um homem de convicções fortes. Um homem de bem. Um homem honesto. E o que sou é, exactamente, o perfil que tenho enquanto Presidente. Porque não posso dissociar o homem do político.

– Miguel Lopes (PSD) insiste em dizer que vai vencer as eleições em 2013. Isto preocupa-o?
- Tomara que as minhas preocupações fossem as eleições de 2013 e os seus candidatos. Vivemos num País livre e democrático. Na América, qualquer cidadão pode chegar a Presidente do País. Aqui, também. Desejo as maiores felicidades ao Miguel Lopes.

– Já decidiu se vai ser candidato à Câmara Municipal em 2013?
- Ainda é cedo para falar de 2013. Tenho muito trabalho, ainda, pela frente…

– Crê que os seus principais adversários podem surgir de dentro do PS, como Francisco Ferreira, ou acha que tudo será pacífico no seio do seu partido em 2013?
- Como lhe disse, as eleições de 2013 ainda estão longínquas no horizonte…

– Duas notas negativas que algumas pessoas lhe apontam foi ter dito que Carlos Coutinho (Companhia dos Banhos de Vizela) era persona non grata de Vizela e a outra de nada ter feito para que a recepção ao candidato a secretário-geral do PS, Francisco Assis fosse diferente. A Carlos Coutinho pediu desculpa mas em relação a Assis não disse nada. Significa que hoje tomaria a mesma posição?
- Significa que sou um homem de convicções fortes e de que só tenho uma palavra. O meu candidato era António José Seguro e não seria uma pessoa fiel aos meus princípios caso tivesse tido uma posição diferente quanto à recepção a Francisco Assis.

– Considera mesmo que Francisco Assis não foi influente na criação do concelho?
- A maior influência para a criação do Concelho foi a minha proposta no secretariado de Braga do PS, votada por unanimidade. Que o diga o Senhor Manuel Campelos…
Não quero tecer quaisquer considerações relativamente a essa questão do passado. Se foi, ou não influente, ele, melhor do que ninguém, o saberá. Hoje, essa questão nem se põe. Porque não interessa minimamente para o presente e para o futuro. O passado vive-se, apenas, nos museus…

– Quando prevê mudar os serviços da Câmara para o novo edifício dos Paços do Concelho?
- O mais rapidamente possível. Estamos a trabalhar em condições péssimas. E, não sou eu que o digo. O relatório da última inspecção do IGAL diz exactamente isso. Contudo, esta é uma questão que não depende, exclusivamente, da Câmara Municipal.

– Hoje faria um edifício daquele volume para Paços do Concelho?
- Não, não faria… Mas, a obra foi idealizada numa época em que tudo era possível.

– Qual vai ser o “cavalo de batalha” do seu executivo nos próximos tempos?
- A luta contra a falta de dinheiro para conseguirmos concretizar tudo o que desejamos. Vai ser a luta de todo o País, não apenas a nossa.

– O que podem os vizelenses esperar neste resto de mandato?
- Trabalho, empenho, dedicação a Vizela e aos vizelenses.

– Acredita que o FC Vizela vai voltar a ter condições para andar pelo seu próprio pé?
- Acredito sinceramente. Vivemos tempos muito difíceis e só com muita arte e engenho será possível o Vizela voltar a ser o clube que nos orgulha a todos.

– Quando terminar o seu mandato, Infias terá um campo de futebol? E os outros clubes terão relvado sintético nos seus campos?
- Não sei o que acontecerá quando terminar este mandato… Como lhe disse, há uma conjuntura difícil pela frente, pelo que não sei o que vamos conseguir fazer, mas espero cumprir as promessas que fizemos.

– Como viu o fim do futebol sénior do Desportivo da Fundação Jorge Antunes?
- Com tristeza. O Futebol sénior do Desportivo da Fundação Jorge Antunes era uma referência para Vizela.

– Tem obras importantes para fazer nas freguesias?
- Temos algumas obras importantes a fazer, que vão constando no nosso Plano e Orçamento anual. Vamos tentando satisfazer as pretensões de todos os munícipes.

- Santo Adrião e Tagilde clamam por uma nova ponte sobre o rio Vizela. As populações destas freguesias podem esperar de pé?
- Podem esperar de pé, porque pretendo que não se cansem (risos)… Mas, tudo irei fazer para resolver essa situação.

– Joaquim Meireles termina neste mandato as suas funções de presidente da Junta de Freguesia de Santa Eulália onde sempre venceu por larga maioria? É um político que gostaria de contar no futuro?
- Antes de tudo, o Joaquim Meireles é um amigo que quererei sempre que faça parte da minha vida. Acho que está tudo dito…

– Alguma vez se arrependeu de assumir o cargo de Presidente da Câmara Municipal?
- Nunca. Porque me arrependeria? Grande parte da minha vida foi passada na política e no cargo de autarca. Ser Presidente de Câmara foi algo natural que aconteceu. Hoje, voltaria a assumir o mesmo lugar.

- Afinal, quando está pronto o Plano Director Municipal de Vizela (PDM)?
- O processo do PDM de Vizela está a decorrer a bom ritmo e penso que dentro em breve teremos novidades sobre esta matéria.

– Fez mais amigos ou inimigos nesta sua função presidencial?
- Ao longo da vida fazemos amigos e inimigos. Não considero que tenha propriamente inimigos, antes pessoas que podem não gostar tanto de mim. Mas, faz parte do nosso percurso humano.

- Está de consciência tranquila?
- Estou sempre de consciência tranquila quanto à minha atitude perante a vida e as pessoas. Não faço nada para magoar ninguém. Não sou vingativo, deixo a vida correr tranquila. Gosto de paz, de fazer bem. E, a vida, tem-me retribuído em dobro.

– Há muita gente a pedir-lhe emprego? O que lhes responde?
- Infelizmente, há muita gente a pedir emprego. Aliás, grande parte das audiências que concedo a todos os munícipes tem essa intenção. Algumas, soluciono através de amigos que têm empresas privadas. Outras, não consigo, infelizmente. Mas, nunca desisto de tentar.

– Quantas grandes áreas comerciais Vizela ainda vai ter?
- Como todos sabem, a SONAE vai edificar uma área comercial na antiga Sedas de Vizela. Acima de tudo, vai ser mais uma oportunidade de “bolsa de emprego” que tanto nos faz falta neste momento.

– Vizela é uma terra com futuro?
Vizela é, tão só, uma terra com muito futuro. Não foi à toa que conseguimos ser incluídos no rol de Cidades mundial que ostentam o título de Cittaslow. Somos uma Cidade e Concelho com muita qualidade de vida, onde as pessoas se sentem em casa. Consegue encontrar algo mais importante do que nos sentir em casa? Vizela é uma terra de excelência e o que estamos a fazer é que seja uma referência a nível nacional e internacional.

publicado por jmvfaria às 09:37 link do post
Q discurso irrealista... Está desorientado quer politicamente quer ideologicamente...
Anónimo a 16 de Setembro de 2011 às 15:54
Concordo e, provavelmente, mal aconselhado, politicamente.
jmvfaria a 16 de Setembro de 2011 às 16:23
Numa fase em q a Coligação ainda tem muito tempo e muitos argumentos para apresentar esperava mais do meu Presidente. Entrevista fraquinha q vai arrebitar ainda mais os descontentes e gulosos do PS e fazer esfregar as maos o Miguel Lopes q de porta em porta e sem dar nas vistas faz o seu trabalho. Depois admirem-se q ganhe as eleições como quase as ganhou em 2009. Não corram não..
Anónimo a 16 de Setembro de 2011 às 17:15
E tu queres mesmo convencer-me que és apoiante do DC? Sê sério e defende quem defendes de verdade... a Coligação.
Anónimo a 16 de Setembro de 2011 às 20:05
Diz o DC que as Termas de Vizela foram um grande feito seu e da sua vereação?!
Mas, afinal, as Termas já estão abertas?!
Anónimo a 16 de Setembro de 2011 às 20:00
Uma praia fluvial com água poluída.. Só o PS/Vizela mesmo.
Anónimo a 17 de Setembro de 2011 às 13:37
Atençao que dentro do PS ainda há quem tenha uma palavra a dizer...
Anónimo a 17 de Setembro de 2011 às 14:47
Afinal o pai do concelho é D C !
Eu acho melhor fazer um teste de paternidade para se saber quem é o verdadeiro
pai. É que já ouvi tantos nomes !
Ena pá, são tantos atrás dos louros e dos taxi(o)s ! ! !
pensoeudeque a 17 de Setembro de 2011 às 23:27
É caso para cantar: "Mas quem será? Mas quem será, o pai da criança?!/ Eu sei lá, sei lá!!"
Anónimo a 18 de Setembro de 2011 às 10:13
Uma coisa eu sei... é que por este andar e com a falência do concelho, DC prepara-se para ser o coveiro do nosso concelho.
Anónimo a 18 de Setembro de 2011 às 10:15
O Miguel Lopes já disse há muito tempo que o Dinis vai ser o coveiro da nossa Camara..
Anónimo a 19 de Setembro de 2011 às 20:14
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