
"O Bloco de Esquerda terá de sair da encruzilhada em que se encontra. O estado de graça que a novidade naturalmente lhe garantiu acabou. E construir uma alternativa depende da capacidade de, à esquerda, saber fazer todas as pontes, tendo na recusa do sectarismo a sua principal marca identitária. Aceitando o que muito dificilmente qualquer partido aceita: que, em tempos tão dramáticos, ele é muito curto para a construção de uma alternativa. E que a acumulação de forças, por via do descontentamento crescente, nem é provável, nem, mesmo que acontecesse, seria suficiente para que tivesse um papel útil no cenário que nos espera. Um partido que nasceu para desbloquear a esquerda portuguesa não pode transformar-se em mais um factor de bloqueamento, regressando à velha cultura de seita que condenou a esquerda radical portuguesa. Até porque, tendo em conta a juventude do BE e a natureza da sua base social, dificilmente, ao contrário de outros, sobreviverá ao seu próprio autismo."
- O BE tem obviamente de assumir que quer governar mas não o pode fazer à custa da sua ideologia de base: o socialismo, sim, socialismo em liberdade, por consequência não pode fazer todas as pontes – o PS está impregnado de “capitalismo” até aos ossos é composto por “centristas” anti/marxistas oportunistas que pensam na sua ascensão social em detrimento da defesa do colectivo –, o PS não pode entrar neste projecto. Há limites à abrangência. O BE tem de construir uma 3ª via (PSD-CDS/PS) com os movimentos sociais o Partido Comunista (não é o KKE )e outros extra/parlamentares com programa unitário mínimo : tipo Syrisa. Caso o BE se encoste ao PS é a morte do partido, transformar-se-á numa UEDS do sec: XXI que a prazo integrará uma tendência “socialista”.