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Mai 17

  - Um dos últimos "ultra/ortodoxos" do PCP: tal como Carlos Costa, Domingos Abrantes ou Albano Nunes.

"O MAIOR JORNALISTA DO NOSSO TEMPO
A propósito dele não ouviremos dizer "o jornalismo português ficou mais pobre". Ainda bem: ele odiava lugares comuns, a pior das muletas a que os jornalistas medíocres recorrem, como ensinou. Ele também odiava a mediocridade, por isso o vigor e a qualidade da obra vasta que nos deixa estão submersos no silêncio destes tempos em que ela reina, no jornalismo e no resto.
Mas o jornalismo português ficou mais pobre, perdoa-me Miguel, o maior dos vários e bons mestres que tive - Rodolfo Iriarte, Mário Alexandre, Manuel Batoréo, Daniel Ricardo e Cáceres Monteiro, Adelino Tavares da Silva, Miguel Serrano e Armando Pereira da Silva, Carlos Pinhão, Alberto Villaverde Cabral.
Como Miguel Urbano Rodrigues, porém, não houve nenhum. Tive a sorte de percorrer grande parte do caminho nesta profissão, tão exaltante como ultrajada, sob a batuta do maior jornalista português do nosso tempo, sem qualquer dúvida uma referência a nível mundial se as avaliações se fizessem em função da qualidade e amor pelo desempenho do ofício e não a propósito das subserviências e vénias ao odioso "main stream".
Miguel Urbano Rodrigues foi um jornalista, o jornalismo. Culto, investigador, inquieto, comprometido com o ser humano e a realidade, solidário até ao limite com os mais desfavorecidos, internacionalista e também comunista, opção de vida que fez com que todos os inesgotáveis atributos com que exerceu a profissão fossem desprezados, até escarnecidos. Ataques que apenas o motivavam para continuar igual a ele próprio, vertical, mestre e amigo simultaneamente, crítico e justo. Teimoso, chamavam-lhe os incapazes de o aceitar como era. Os pobres de espírito confundiam respeito pelos princípios de vida e da profissão com teimosia, coitados deles que, por isso, jamais o entenderam nem foram nada na profissão, embora muitos tenham chegado longe. Apenas porque este é um tempo óptimo para os pobres de espírito.
o diário foi um dos grandes projectos de vida do Miguel Urbano, um saudoso jornal diário que fez história na imprensa portuguesa, na qual hoje se faz tudo para renegar a própria história. Miguel Urbano dirigiu o diário como o jornal que incarnou verdadeiramente o espírito antifascista e da revolução de 25 de Abril; o jornal que levou os ideais dessa revolução o mais longe que conseguiu, até ser cilindrado pelo novembrismo acolitado pela traição "europeísta".
o diário foi uma escola de jornalistas e Miguel Urbano Rodrigues o seu mestre. A história da vida e da liquidação deste jornal será contada um dia e uma das resultantes desse trabalho será a de fazer justiça ao maior jornalista português do nosso tempo e que Portugal, significativamente, não conhece. O Portugal, ressalvo, que nem se conhece a si próprio.
Porque há muitos, muitos portugueses mesmo, que não esquecem nem esquecerão Miguel Urbano Rodrigues, tal como não esquecem o diário a que deu corpo, os livros que escreveu, a sabedoria que emanava dos seus colóquios e conferências, a militância política ideologicamente fundamentada e vivida com dedicação e desapego.
Miguel Urbano amava a vida como poucos.
Miguel Urbano viveu. Partiu com essa certeza, não tenho qualquer dúvida.
Para muitos, entre os quais tenho a ventura de me contar, continua e continuará a viver.
Honra, Miguel, à tua memória, que era na verdade inesgotável, outro dos enormes atributos que os pobres de espírito não te perdoam, por temerem o seu poder fulminante e o confronto com a insignificância e a ignorância.
Até sempre, Miguel! Desculpa o lugar comum, mas é o último deste escrito redigido com a pressão de uma edição a fechar, o que não passa de um pretexto envergonhado para esconder o desgosto - também poderei chamar-lhe orfandade.
Porque tu sabes que os homens choram; e os jornalistas que se orgulham de o ser, também, mesmo conhecendo a inevitabilidade da chegada da notícia que jamais desejariam dar."

José Goulão

publicado por José Manuel Faria às 21:03

publicado por José Manuel Faria às 17:32

 . António Monteiro; CDU - 12;

 - Fátima Andrade/José Abreu: PSD/CDS - 12;

 - João Poleri: PS - 14;

 - João Paulo Monteiro - BE - 11:

 - Agostinho Freitas: Vizela Sempre - 13.

publicado por José Manuel Faria às 12:48

 

 

Há possibilidade do BE coligar-se com o PS às autárquicas em Vizela.

publicado por José Manuel Faria às 11:20

 

publicado por José Manuel Faria às 11:13

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