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Nov 08

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O que fazer quando os neurónios escasseiam e a frustração de apodera de nós?
Praxar.
Praxar.
Praxar.
E, em último recurso, praxar.
Neste momento, meus amigos, os abutres que vemos a invadir Guimarães vestidos como pinguins exteriorizam as suas frustrações (especialmente de ordem sexual) e submetem neurónios inferiores às suas vontades sádicas e maléficas. Estes indivíduos magros (se é que percebem a relação que quero estabelecer quando saliento as suas faltas de peso) gostam de exibir o magnífico, incomparável, divinal, soberano traje, salientando o seu novo adjunto de nome: doutor. E isto porque toda a gente sabe que, com três matrículas numa escola superior (ainda que não tenhamos feito qualquer disciplina), já somos doutores!
Esta espécie (abutres vestidos como pinguins) começa a dar cabo da minha reputação e acabo por passar por mentirosa quase todos os dias. Digo que gosto de animais, mas, quando eles passam, o meu rosto enrubesce e começo a tremer. Ali está a prova evidente da minha falta à verdade. Vê-los a passar, como góticos em dia de ir ao cemitério sacrificar galinhas em nome de Satanás, faz-me ver que tenho de passar a incluir excepções quando incluo o meu incondicional amor aos animais. Ainda por cima, estamos a falar de duas espécies, o que torna a minha usual mentira mais grave.
À procura de sangue fresco, os abutres aproximam-se, analisam, enterram os dentes, sentem o sabor do sangue e começam a devastar o corpo o humano. Ou, por outras palavras, mandam fazer flexões, rebolar na lama, berrar, sujar e outro tipo de coisas que anulam a condição de se ser humano. Assim, como máquinas cumpridoras, os praxados seguem as ordens impossíveis de olvidar dos quase doutorados, ainda que não façam o menor sentido.
Nem tudo é mau, devo dizer. Ainda que me pareça uma prática abjecta, tenho de lhe reconhecer os pontos positivos. Ainda que integrem (ora aqui está a integração tantas vezes referida) a humilhação, o desprezo, a frustração sexual, o complexo de superioridade e a estupidez, as praxes dão um grande incentivo à arte. De um dia para o outro, pinturas dignas de fazer corar Picasso começam a aparecer por cada recanto das cidades universitárias. E olhem que não estamos a falar de banais desenhos abstractos! Refiro-me a um pormenorizado desenho das letras (iniciais de cada curso) e a uma fabulosa conjugação entre cor e textura. Picasso, esse desgraçado, nada mais fazia que meia dúzia de cubos sem qualquer relação e sem representatividade académica. Com os seus quadradinhos, Picasso não salientava “o melhor, o único, o imprescindível, o valoroso, o valioso melhor curso da Universidade do Minho”.
Assistimos, meus amigos, a uma ditadura legal dentro de uma pretensa (e nada mais que pretensa) democracia. Claro que há sempre quem imponha a sua ingénua crença na democracia, mas as almas apoderadas pelo medo e cegas pela tão linda tradição tendem a afirmar-se.
Ser anti-praxe, meus amigos, ainda que o prefixo não seja aplicado no seu sentido literal (nem em qualquer outro, muitas vezes, é verdade) é ser porreiro. Ser anti-praxe é estar na moda. É muito mais irreverente fazermos o que queremos do que aquilo que nos mandam fazer.

publicado por José Manuel Faria às 12:22

6 comentários:
Estou totalmente em desacordo.

Já praxei e fui praxado e não reconheço nisso qualquer tipo de expressão de frustração de qualquer tipo.
É preciso saber estar na praxe, ter espírito de praxe e levar as coisas na brincadeira.

Pude estar na praxe e tive o direito e o dever de dizer que não queria fazer certas coisas. Não era pintado se não queria, não fazia flexões se não quisesse, não me sujeitava a nada se não quisesse, sem que para isso me declarasse anti-praxe . Respeitava-os e eles respeitavam-me de igual forma.

Devo dizer que o meu ano de caloiro foi de longe o melhor ano de universidade e se pudesse era praxado todos os anos. E assim como eu, 99% dos meus colegas.

É preciso é saber estar. E saber que os tais de capa negra não são doutores, engenheiros ou arquitectos.



1/2Kg de Broa a 2 de Novembro de 2008 às 14:27

Diria que esse sentimento de frustação vem mais de quem não sabe deixar-se praxar e de quem não sabe afirmar-se enquanto caloiro.

Concordo com o 1/2 kilo é tudo uma questão de saber estar. As "humilhações" da praxe são brincadeiras que muito podem ensinar pois também devenos saber lidar com o rídiculo.

Jorge Miranda a 2 de Novembro de 2008 às 15:56

Mas tudo isso, como é evidente, depende de Universidade para Universidade e de curso para curso. O artigo foi escrito para um jornal de Guimarães. Falo, aliás, dos trajados que invadem as ruas de Guimarães. Estou a falar da UM, claro. Pelo que eu tenho visto, não há grande escolha. Levam logo o papel! (Ora bem, claro que eu os mandei passear e não assinei papel nenhum.) Demasiada história à volta da praxe. Deviam era deixar as pessoas em paz...
A Universidade não passa de uma escola.
Ana Bárbara Pedrosa a 2 de Novembro de 2008 às 20:55

"A Universidade não passa de uma escola". Precisamente. Gostei.

Há quem viva os melhores momentos da sua vida nessa escola. Acredito. Pontos de vista antagónicos, ainda bem.
José Manuel Faria a 2 de Novembro de 2008 às 22:19

Sem dúvida a melhor escola por onde se anda.

Mas na UM nunca vi esse tal papel do "anti-praxe". Tenho amigos que iam à praxe quando queriam, e outros que nem lá foram e nenhum deu satisfações.

E como durante a praxe não se fazia distinção entre as pessoas que iam e as que não iam, fora da praxe também não se fazia. Os que não iam à praxe apareciam nos jantares de curso, nas recepções ao caloiro, nas queimas, nos cortejos, etc.... sempre sem problemas.

Mas a verdade é que na praxe aprende-se muito e fazem-se muitos amigos muito depressa.

É melhor a praxe que os exames! ;)
1/2Kg de Broa a 3 de Novembro de 2008 às 01:32

Felizmente não andei em Guimarães a estudar é o que este "texto" me traz ao pensamento no momento.
No entanto, conheço muita gente que andou, que anda, que praxou e que praxa. Por causa disso, considero este "texto" um pouco ofensivo para essas pessoas que sempre defenderam e honraram a praxe dentro de todos os limites. Sim, eu sei que a carapuça só serve a quem a quer usar...

Há pessoas que abusam, que não sabem o que é a praxe, que não conhecem a tradição da praxe, que não sabem porque é que a praxe existe, que exteriorizam para os outros as suas próprias frustrações. Mas é a essas pessoas que devemos apontar o dedo, não à praxe.

Porque a praxe é bem mais antiga do que nós todos juntos corre-se o risco de se estar aqui a cometer um erro grosseiro ao fazer uma análise tão global como essa.

Mas os blogues existem para isso mesmo. Cada um é livre de escrever o que lhe der na real gana. Felizmente somos todos iguais, mas todos diferentes.

Já com alguns anos de universidade, fui praxado e gostei. Nunca praxei mas... "Ai daqueles que perderem a fé...na praxe" Brincadeirinha ;)

Saudações académicas a todos.
Jota Madureira a 5 de Novembro de 2008 às 22:38

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