15
Jan 19

"Um dos pormenores mais relevantes que tornam Os Maias uma perene obra-prima da literatura portuguesa é o seu final em aberto, rompendo os cânones da época. Nunca saberemos se os dois amigos, Carlos da Maia e João da Ega, conseguirão apanhar aquele veículo de tracção animal mesmo correndo desenfreadamente, rampa de Santos abaixo, momentos após terem concluído da inutilidade de todos os esforços.

Imagino os protagonistas do romance novecentista, transportados para a política portuguesa do século XXI, proclamando como Carlos: «Não vale a pena fazer um esforço, correr para coisa alguma.» E mesmo assim correndo, como se o dedo do destino lhes tivesse lançado uma praga digna de Sísifo. António Costa acelerando o passo, numa tentativa inglória de demonstrar ao País a competência do ministro da Educação que alguém lhe recomendou em momento nada inspirado. Assunção Cristas em desesperada corrida contra as sondagens que teimam em congelar as perspectivas eleitorais do seu partido. Catarina Martins, afogueada na rota descendente, procurando incutir aos militantes do Bloco a ilusória garantia de que o chamado “caso Robles” lhe manteve intactas as expectativas de voto. Jerónimo de Sousa ainda capaz de enumerar os méritos da sua rendição ao PS perante os militantes que viram os socialistas, à boleia da “geringonça”, arrombar praças-fortes vermelhas como Almada, Barreiro e Beja.

Mas talvez a figura mais romanesca, do actual elenco de dirigentes políticos portugueses, seja o presidente do PSD – capaz de tiradas dignas de suscitar inveja a um Eça de Queiroz. Como a que proferiu em recente reunião do Conselho Nacional do seu partido, ainda o maior da oposição. Para empolgar e motivar os companheiros? Não, para lhes transmitir uma confissão antecipada de derrota: «Podemos perder à primeira, à segunda, à terceira, à quarta, à quinta… Mas virá o dia em que perceberão a diferença.»

É fácil imaginá-lo à desfilada, ladeira abaixo, procurando apanhar a tempo o “americano” sem macular um vinco do paletó, mão agarrada à aba da cartola. O político ideal, nesta óptica, é aquele que melhor sabe assimilar uma consistente soma de derrotas. Elas anunciam-se para o PSD em 2019: nas europeias, nas legislativas, até nas regionais da Madeira. Vale a pena prosseguir? Rio da Ega dir-vos-á sempre que sim, lançando o passo, largamente, rumo àquilo a que os filósofos da bola costumam chamar vitória moral: a do perdedor que não desiste.

Já não estamos apenas nos domínios de Eça: entrámos também no imaginário de Samuel Beckett, notória fonte inspiradora do líder laranja. É um ensinamento dele que parece dar-lhe a táctica: «O importante é tentar outra vez, falhar outra vez, falhar cada vez melhor.»

Pedro Correia

 

publicado por José Manuel Faria às 12:09

publicado por José Manuel Faria às 11:36

Somos feitos de estrelas, e o cadáver de uma delas revela pistas sobre a nossa origem via

publicado por José Manuel Faria às 11:31

14
Jan 19

publicado por José Manuel Faria às 11:59

publicado por José Manuel Faria às 11:33

13
Jan 19

publicado por José Manuel Faria às 10:51

Cláudio Torres olha para o buraco no tecto, por onde entra a pouca luz do sol de Inverno, e exclama: "Foi aqui que tudo começou". O "aqui" é a cisterna medieval, junto ao castelo de Mértola.

"Quando cá vim pela primeira vez, em 1976, trazido pelo presidente da Câmara, o Serrão Martins, meu aluno de História na Faculdade de Letras de Lisboa, havia uma grande figueira junto a este buraco. Espreitei lá para dentro, aquilo estava cheio de lixo, e logo na altura apanhei vários cacos de cerâmica islâmica".

Sentado no que resta das paredes de uma casa com 900 anos, Cláudio Torres aponta para o terreiro junto ao castelo: "Os miúdos costumavam vir para aqui brincar. Havia hortas, assavam-se galinhas, namorava-se às escondidas. Em 40 anos, mudámos isto: já desenterrámos o bairro almóada do século XII, o baptistério do século VI e o palácio episcopal. Se continuarmos a escavar, vamos encontrar o fórum romano".

publicado por José Manuel Faria às 10:36

12
Jan 19

publicado por José Manuel Faria às 11:27

 

"A 11 de Janeiro de 1929, a URSS instituía as 7 horas diárias como horário de trabalho. 90 anos depois, há quem ache que 8 horas por dia é pouco"

publicado por José Manuel Faria às 11:13

11
Jan 19

publicado por José Manuel Faria às 12:00

publicado por José Manuel Faria às 11:42

publicado por José Manuel Faria às 11:28

10
Jan 19

publicado por José Manuel Faria às 12:19

publicado por José Manuel Faria às 12:16

publicado por José Manuel Faria às 11:50

09
Jan 19

"Reunião de câmara
- doação do autocarro ao FC Vizela -
Para quando o ar condicionado na CMV?

Autocarro para o FCV, carrinha para as aves e no edifício da CMV tudo a bater o dente.
Depois é tanto aquecedor tanto aquecedor que não à luz que aguente.
Pois é VH."

ANÓNIMO A 8 DE JANEIRO DE 2019 ÀS 20:23

publicado por José Manuel Faria às 10:32

publicado por José Manuel Faria às 09:58

08
Jan 19

publicado por José Manuel Faria às 11:53

publicado por José Manuel Faria às 11:43

07
Jan 19

Não vi o programa, pelo que, ainda me resta a esperança de que se trate de uma espécie de inverdade. Se não é, a Cristina (ou a amiga) tinha razão, quando disse, em entrevista, que uma amiga lhe confidenciara que, a sua saída da TVI, era mais ou menos o mesmo que a morte da Princesa Diana: o país não estava preparado...

Entretanto, vou tomar um calmante...há tantos politicamente não sei quê, que, assim de repente, fiquei bastante confusa...mas, também é capaz de ser só inveja porque o senhor Presidente não me telefonou a mim...ainda não decidi.

Mas, de uma coisa estou certa. Para telenovela, tem a virtude de ser mais alegre do que a de Tancos e não envolve, acho eu, saca-cilindros e carrinhos de mão, nas cenas dos últimos capítulos...

MRS

 

publicado por José Manuel Faria às 19:38

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