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Abr 11

(é tudo gentemorta)

 

(...)Entramos de rompante, directamente do nosso yellow cab, chamados por um bouncer negro que, metido dentro de um apertado Armani gessato e com uma pala de cabedal a cobrir-lhe o olho esquerdo, nos abre caminho pelo meio da multidão. Sou levado pela mão da Valentina, que sem coincidência é filha de um amigo de Crepax, ex-modelo das passarelas de Milão e que desta cidade onde agora vive parece conhecer tudo e todos. Ao nosso lado entram também o metro e oitenta de uma Florentina sua amiga e mais dois seus conterrâneos, nossos amigos comuns de Milão e que acabaram de chegar à cidade. Um naipe de luxo. A super posh crowd, I guess. Aqui dentro terminou o primeiro set e está para começar o segundo. O espaço é relativamente apertado. No ar paira um inebriante fragor de Chanel No. 5 que a esta pequena hora da noite se mistura já com outros perfumes mais primordiais, como aqueles do álcool, do sexo e do sangue. À minha volta, um cenário barroco, rico em talhas douradas, lustres de cristal estilo Maria Teresa e pesadas cortinas de veludo adamascado, cor de carne. O público, esse, agrupado em pequenos camarotes ou sentado em mesas espalhadas pela plateia, é elegantíssimo. Perigosamente sofisticado, dir-se-ia. Alguns trouxeram plumas na cabeça. Outros o seu sexo indefinido. Outros vieram de top hat e mascarilha. Outros ainda com a face coberta de piercings que os potentes reflectores deste burlesco cabaret convertem em movimentadas máscaras de luz. Sob o palco, de costas para um pano agora corrido, banhada por uma ácida luz azul e por uma bizarra e lenta canção de embalar, dança uma anoréxica beldade ariana. Endossa, minimalista, um par de suspensórios, um slip de pele e um cristalino copo de vodka. Reparo no seu olhar vítreo. Fixo no vazio. A sua coreografia é simples. Mãos que se alçam rápidas, esticadas nos braços lá em cima e que depois  descem, ondulando, vagarosamente, para se virem pousar, como borboletas venenosas, na magreza das ancas que se balançam ossudas, suspensas no cabedal dos seus finos suspensórios.(...)

publicado por José Manuel Faria às 18:50

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