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"Sou amigo do Rui Tavares e estou certo de que o que escrevo neste post não alterará esse facto. Mas escrevo enquanto eleitor que nas últimas eleições europeias votou na lista do BE encabeçada por Miguel Portas. Lamento muito que o Rui Tavares tenha decidido abandonar o grupo do BE no Parlamento Europeu. A nota de Francisco Louçã no facebook, que aliás tive a oportunidade de criticar neste blogue, foi o pretexto, dirão uns, a gota que fez transbordar o copo, dirão outros. Não me interessa perder um segundo a discutir se foi pretexto ou se foi a gota decisiva. A única coisa que me custa é perceber por que raio um conflito com Louçã leva Tavares a desvincular-se de Miguel Portas e de Marisa Matias, assim como de todo o Grupo Unitário de Esquerda, em que se encontram vários outros deputados, da Ilda Figueiredo e dos deputados do PCP a alguns outros bem mais próximos, político-ideologicamente, do Rui, como aliás ele e o Daniel Oliveira fizeram questão de relembrar ainda recentemente a propósito da situação na Líbia."

 

Os candidatos a deputados apresentam-se em listas de partidos ou coligações (europeias), e, depois de eleitos, os lugares pertencem aos candidatos - à excepção do PCP (assinam documento para tal)- que, em caso de ruptura com o partido podem optar pela renúncia ou não: o Rui Tavares decidiu continuar no parlamento, temos democraticamente de respeitar a sua decisão.

 

Rui Tavares ao dar o "salto" para "Os Verdes europeus" perdeu politicamente a razão da sua "demissão": as divergências eram/são muito mais profundas.

publicado por José Manuel Faria às 17:28

9 comentários:
No caso de círculos nacionais, julgo que o lugar deveria pertencer ao partido. Por isso defendo na A.R. a introdução de círculos uninominais, mesmo que coexistindo com um círculo nacional único. Por outro lado, também há que referir o risco que os partidos correm quando integram independentes, procurando captar votos. Dito isto, nada a opor à decisão de Rui Tavares, cumpriu a Lei, neste caso prejudicou o BE, mas outros partidos já passaram por situação idêntica...
António de Almeida a 21 de Junho de 2011 às 18:03

JMF desde a primeira hora tenho -me me batido para que este caso seja esclarecido.

Quem cita ABUSIVAMENTE , parece, o nome de Rui Tavares, é um jornalista do jornal I, pelo menos é o que fica claro na nota do Louçã.

E para espanto meu o Rui Tavares não está nada preocupado em esclarecer isso.

Sou coerente com o que sempre disse , quando um deputado entra em rotura com o partido que o apoiou, só se deve demitir se assim o entender.

No caso do Rui Tavares a sua adesão ao grupo dos Verdes, contraria, um compromisso que ele tinha assumido, romper compromissos não abona muito em seu favor.
a.pacheco a 21 de Junho de 2011 às 18:58


O Rui Tavares já esclareceu que não foi fonte de coisa alguma.

De acordo com o seu ponto de vista.

A mascara vai caindo, R. Tavares é o espelho do BE a caminho da social democracia.
Anónimo a 21 de Junho de 2011 às 21:19

Não. O BE é um partido anti/capitalista, socialista democrático.

Rui Tavares não era aderente do BE.

Estas eleições correram eleitoralmente muito bem ao BE, já não se pode dizer o mesmo de 2 protagonistas: Nobre e Tavares.

Este parece mais um comentário do a. pacheco do que do JMF.
Com que então o BE é simultaneamente anti-capitalista e democrático?!
Quanto ao socialista (até se poderia dizer comunista) até dou de barato. Porém o socialismo, e refiro-me ao ortodoxo, ao anti-capitalista, essa é todo mesmo democrático. No fundo defende a ditadura do proletariado (objectivo e premissa do socialismo). E onde há ditadura de uma das classes não existe liberdade. E onde não há liberdade não há democracia. Logo afirmar-se que o BE é socialista/anti-capitalista e, simultaneamente, democrático configura uma contradição nos termos.
Enfim... é mais uma das confusões genéticas do BE e que ajudam a perceber esta falta de rumo e de coerência no discurso e na acção política.
Anónimo a 23 de Junho de 2011 às 10:21

O socialismo pode e é democrático: liberdade política, liberdade de expressão, liberdade de reunião, liberdade económica, democracia social, cultural, etc.

O anti/capitalismo é romper com uma sociedade da banca privada, educação, saúde, transportes e outras actividades cujo objectivo é a acumulação de riqueza de alguns: sistema politico a implementar a prazo, quando a maioria do povo assim o quiser.

As actividades sociais e económicas para funcionarem bem têm de ser privadas? Não. Se forem bem geridas em nome de todos.

Não basta haver eleições para dizermos que vivemos em democracia.

O socialismo não é democrático. Esta é uma parangona que os socialistas foram zurzindo com o propósito de enganar os eleitores a não temerem votar neles na sequência do desmoronar dos diversos regimes que integravam, grosso modo, o vetusto Pacto de Varsóvia. Regimes socialistas que, um após outro, foram-se esboroando, justamente, devido à ausência de liberdade. E a ausência de liberdade nesses regimes é o corolário do socialismo. Pois essa ideologia impõe a subjugação do indivíduo ao colectivo, a subjugação da iniciativa privada ao alegado interesse público, e isto é anti-natural e anti-social, uma verdadeira ditadura. E onde este existe não há liberdade. Nem de expressão, nem de manifestação, nem de associação, nem económica, nem de iniciativa... nada que contrarie a mundividência dos socialistas que governem.
As actividades económicas para funcionar bem têm de ser privadas? Depende do caso. Só uma avaliação casuística permite responder a essa questão. A menos que queiramos defender uma posição apriorística e fundamentalista que a realidade se encarregará de nos mostrar não ser absolutamente verdadeira. Agora que a realidade nos tem demonstrado que as actividades económicas quando geridas por entidades públicas revelam ser um desastre de gestão, em que os orçamentos nunca se cumprem, sendo sempre deficitários, pois os gestores não são responsabilizados e o Estado é o garante (o contribuinte) último de todas as dívidas contraídas por esses gestores, muitos deles pagos principescamente, sem qualquer formação académica e nem curriculum de mérito, muitos deles dados a vigarizar as empresas públicas acedendo a uma prática de corrupção, endividando as empresas para poderem viver fautosamente, isto tudo porque os investidores é o Estado?!
Os privados gerem melhor as actividades económicas. Até porque investem os seus recursos (próprios ou emprestados).
Apenas carecem de regras que garantam uma sã concorrência, transparência. E de entidades que regulem a aplicação efectiva dessas regras.
O resto é ideologia bacoca.
Anónimo a 23 de Junho de 2011 às 11:34

Parece-me que se confunde o que é com o que gostariam que fosse.
De acordo com as regras em vigor, os mandatos, seja para o parlamento nacional, seja para o europeu, têm natureza pessoal e não partidária, isto apesar de cada um dos candidatos eleitos poderem sê-lo através de listas apresentadas por partidos políticos e estes possam estar agrupados por famílias políticas (no parlamento europeu). A atitude do PCP é ilegal e de nada valerá se o deputado comunista quiser dar o dito pelo não dito.
A atitude de Rui Tavares pode ser avaliada sob o ponto de vista político e, eventualmente, ético, mas nunca sob o prisma da lei.
Anónimo a 23 de Junho de 2011 às 10:27

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