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Jun 11

 

(...) Não está excluída à partida a realização de uma convenção?

É uma consequência possível do debate, defendida por muita gente, que não decorre exclusivamente dos resultados eleitorais. Deve responder à questão de qual deve ser a táctica e a estratégia do Bloco neste novo quadro político.

Ao não marcar já uma convenção, a direcção do BE não está a desresponsabilizar-se dos resultados eleitorais? Não seria necessário, como defende o Daniel Oliveira, a direcção ser confrontada com uma convenção?

O Daniel levantou duas questões fundamentais partilhadas também pela tendência mais à esquerda do BE (a Ruptura): a ideia que um mau resultado equivale a uma convenção extraordinária que deve conduzir à demissão da direcção. O Daniel apresenta uma proposta já com resultado consumado. Não me parece curial convocar uma convenção que antes de reunir já tem um resultado anunciado. Dito isso, o problema político existe: não há uma questão de legitimidade da actual direcção, ela foi eleita três semanas antes das eleições, mas há um problema de credibilidade política do núcleo dos fundadores do Bloco. Sobre isso não tenho dúvida nenhuma. Este núcleo fundador sempre foi o centro das decisões do BE. 

Está a falar dos quatro (Louçã, Fazenda, Rosas e Portas)?

Destes e de mais um círculo de dirigentes muito próximos. Este núcleo, da mesma maneira que tem o mérito de ter levado o Bloco a 10% e 11 % no espaço de uma década, também tem uma pesada responsabilidade de o ter trazido para 5%, isso é iniludível, e desse ponto de vista é muito positivo que o BE tenha feito imediatamente três coisas. Reconheceu a derrota e atribuiu a mesma não só a factores externos mas também a factores internos: a erros ao longo dos últimos dois anos. E finalmente marcou um debate público e aberto que não se restringe aos militantes. 

Foi por causa dessa derrota que decidiu sair da comissão política?

Não estritamente, mas também pesou. Independentemente do resultado, estou convencido de que o ciclo político dos chamados fundadores do Bloco chegou ao fim no dia 5 de Junho. É evidente que a renovação de uma equipa dirigente se faz melhor com bons resultados que com maus resultados. Paradoxalmente, os maus resultados acentuam essa necessidade. Foi exactamente porque os resultados são maus que achei muito bem que o Francisco Louçã não se tivesse demitido na noite da derrota. Mas penso que a renovação não só não deve ser tutelada pelos fundadores, como precisa de ter tempo para ser sólida.

Admite que a renovação passe pela saída do Louçã?

Defendo que a renovação tem de passar pela saída dos quatro fundadores. Dois deles, de alguma forma, já o fizeram: Fernando Rosas saiu de deputado, eu saí da comissão política, fico só na Mesa Nacional. Penso que inevitavelmente, com o tempo, chegará aos outros dois. Dito isto, isso não significa que o Bloco fique órfão. Pelo contrário, a única maneira de o BE evitar isso é ter a inteligência de fazer essa renovação no tempo certo. Mas também por isso o problema não se punha como o Daniel o pôs: derrota, mau resultado, demito-me e abre as primárias para saber quem ganha. Pensar assim é não conhecer as características do partido.(...)


Miguel Portas 

 

 

 

É Miguel Portas que o diz: "Há zigues e há zagues. Nós cometemos erros tácticos que acontecem numa direcção política. O problema não está nos ajustamentos tácticos, o problema é que alguma credibilidade da direcção do partido se foi perdendo ao longo dos ziguezagues."
Uma entrevista para ler e reflectir, reflectir muito: Finalmente alguém do topo do BE a fazer auto/crítica e absolutamente desempoeirado. Parabéns, Miguel.

publicado por José Manuel Faria às 11:09

8 comentários:
Dois aspectos DETERMINANTES que faltam na entrevista do Miguel.

A reunião com a direcção do PCP, totalmente fora de tempo e sem nenhum resultado pratico.

A falta de enraizamento do BE no movimento operário e popular, como apontaram recentemente Mário Tomé e António Chora.

O Bloco é um partido de quadros , e muito pouco um partido de massas.

O Bloco de Esquerda teve uma excelente prestação parlamentar, com um trabalho ao longo destes anos digno dos maiores elogios.

Mas acabou por subordinar toda a sua estratégia de afirmação, praticamente a esse trabalho parlamentar.

È por isso que a renovação é necessária, mas acima de tudo é necessária uma nova estratégia de afirmação e consolidação do BE .

Que não pode como diz o Daniel Oliveira ser um PCP ( R)

Mas também não pode ser um PS ( BIS) com uma fachada de esquerda.
a.pacheco a 22 de Junho de 2011 às 13:06

JMF há noticias que nos ajudam a compreender certas pessoas.

Cohn Bendit líder dos verdes no PE, disse hoje que já na semana passada o Rui Tavares lhe tinha dito, que iria aderir ao Verdes.

Friso na semana passada, e afinal a nota do Louça no Face book foi publicada só na sexta-feira.

Conclusão , a decisão de Rui Tavares já estava tomada há muto, e a questão da nota do Louça serviu só de pretexto.
a.pacheco a 22 de Junho de 2011 às 16:00

A ser verdade Rui Tavares perde toda e qualquer credibilidade.

A Lusa o DN e a Renascença já deram a noticia.

Inicialmente Cohn Bendit disse que há meses que havia contactos, mais tarde corrigiu , e disse que formalmente, na semana passada Rui Tavares informou que iria aderir ao Verdes.

Rui Tavares desmente Cohn Bendit, e diz que só o pediu a adesão nesta segunda-feira.

Só resta uma alternativa Rui Tavares , ou é coerente e exige ao Cohn Bendit um pedido de desculpas, por dar uma informação incorrecta.

Ou desiste de aderir ao Verdes.

Talvez outro grupo o aceite.
a.pacheco a 22 de Junho de 2011 às 16:44

"Depois destas declarações, os Verdes emitiram um comunicado, no qual Cohn-Bendit afirma que houve um “mal-entendido” e que “somente na segunda-feira” o grupo foi contactado pelo eurodeputado, que terá nesse momento expressado a vontade de juntar-se, enquanto independente, à bancada dos Verdes europeus"

http://www.publico.pt/Pol%C3%ADtica/cohnbendit-com-versoes-contraditorias-sobre-mudanca-de-rui-tavares-para-os-verdes_1499834

- Que grande confusão: não pode haver 2 verdades.

Gosto de gente assim. Não está agarrado ao poder, sabe avaliar a realidade e não se julga insubstituível.
E estou á vontade para dizê-lo pois não sou de esquerda.
Anónimo a 23 de Junho de 2011 às 10:35

O Portas quer social democratizar o bloco, pois...pois!
Anónimo a 23 de Junho de 2011 às 19:52

Antes social democratizar o BE do que continuar a apostar numa anquilozada sovietização do BE que o vai levar a implosão.
Anónimo a 24 de Junho de 2011 às 15:02

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