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Praia, 18 de Agosto 2012 –


Frontal e sem papas na língua, como sempre, o jornalista angolano Rafael Marques, disse à Agência Lusa que as eleições gerais de 31 de Agosto servem os “interesses” de Lisboa e que Portugal nunca quis o bem-estar dos angolanos.

“Estas eleições servem os interesses económicos dos portugueses porque esses interesses estão alicerçados na corrupção. Se o Presidente da República de Angola sai do poder, haverá em Portugal uma série de processos contra empresas portuguesas que têm feito negócios ilícitos em Angola”, afirmou o jornalista que, de Luanda, prestou declarações por via telefónica.

“No meio disto tudo Portugal é um vendedor de serviços. É um país que está em situação de crise e procura vender os seus serviços a todos aqueles que têm o controlo dos fundos”, alegou ainda este profissional de comunicação social e activista, responsável pelo portal de informação “Maka Angola”, uma página da internet especializada na denúncia da violação dos direitos humanos e casos de corrupção que envolvem altas figuras da nomenclatura angolana.

Entrando em pormenores e demonstrando conhecer bem os suspeitos negócios entre Luanda e Lisboa, Rafael Marques adiantou que “os investimentos que têm sido feitos em Portugal, sobretudo pela família presidencial, o Manuel Vicente, o general Kopelipa [altos dirigentes da clique de corrupção de José Eduardo dos Santos] claramente configuram actos de branqueamento de capitais porque não podem e não têm como explicar os biliões de dólares que ali são investidos, razões que o levam a enfatizar que o poder político português nunca quis saber do bem-estar do povo angolano, acrescentando: “Portugal colonizou Angola e, durante a guerra [civil], Portugal também tudo fez para prosperar, havendo sectores que apoiavam a UNITA e outros setores que apoiavam o MPLA e vendiam armas, mesmo durante as sanções das Nações Unidas.”

 

E, para o jornalista, “eventualmente, terá de passar uma ou duas gerações até que surja em Portugal uma nova forma de fazer política e que olhe para Angola como uma terra de futuro e que possa desbravar novas relações, mas desta geração não se pode esperar absolutamente nada que seja benéfico para o povo angolano”…

 

Fonte:TVI24


Realpolitik à portuguesa: vergonhoso.

publicado por José Manuel Faria às 11:18

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