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Out 08

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sem título

Setembro 30, 2008

revestiu os seios com duas caixas metálicas, frias como os arrepios.

dançou no meio dos trilhos enquanto dos lábios, rasgados de sangue, saiam

berros tribais, canções secas de palheiros, de buracos, de tocas negras do medo húmido, de desespero trincado.

fez dos seios caixas enferrujadas enquanto nelas batia num compasso acertado.

tal como os gritos do mercúrio nas feridas soltava-lhe uma dor sonora nunca ouvida. 

rasgava-se-lhe a carne, rasgava-se-lhe as formas de mulher e os sentidos de gente.

foi perdida, no nada, no monte, no árduo chão de ninguém foi perdida.

revestiu a coragem, revestiu os seios com duas caixas metálicas e implorou com a música do seu peito até ser encontrada.

publicado por José Manuel Faria às 19:04

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Nos saudosos anos 80, 90 e talvez até 2000, o mundo da noite movia-se à volta de si mesmo. Os bares e as dicotecas apinhadas de malta jovem , até aos 35 ( os "idosos" rodavam nas boites, casas caras de rotatividade de profissionais do champanhe).A alegria da malta era escutar as músicas da moda nacional , britanica ou norte-americana dos tops da rádio  com Filipe Barros , António Sérgio e vejam lá, Ana Bola, sim a "actriz" da sic e afins teve um excelente programa que nos dava novidades músicais, dançava-se por vezes de modo "rude", as músicas   "pesadas" com Chiclete, Rosette e Chico Fininho, e outra que tais "mete e tira, tira e mete, eu fui à Rosette" pelo meio. Um conselho, descobri à pouco uma rádio do melhorio a M80 de Matosinhos ( 70, 80 e 90 ). As moças vestida a Modonna ou " negras" do punk davam  um colorido folclórico de fauna urbana e rural ( esta não tão apurada), o engate no Slow era o extase. Agarrar a moça  com força colocar os lábios perto do pescoço e roçar, roçar o mais possível, as luzes escureciam. Entrar nas discos da moda não era simples, convinha levar sempre raparigas ou então o nariz esbarrava-se na porta, contudo uma conversa mais inteligente com o porteiro e as barragens abriam-se.

 

Hoje a captação de clientes é noutra base. A música house ou derivados toda igual, pum, pum, pum e mais pum durante horas não interessa aos utentes. O que conta é ver a socialite das revistas, do 24 horas e do Correio da Manhã. Gastos enormes na conquista da Maya, Claudio Ramos, isabel Figueira e mais uns 20, pedir autografos, olhar os deuses da fofoca estar pertinho se possivel, tocar e perguntar-lhes como estão, bem muito bem, respondem. Estes seres rodam no Portugal profundo e à superfície ganham milhares sem produzirem nada tal e qual os investidores bolsitas e seus corretores. As casas enchem para observar parasitas de língua comprida. São modas senhores. Isto vai passar. E a moda retro correrá com esta gente de cera e sem alma.

publicado por José Manuel Faria às 10:51

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