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Mai 09

 

 

Amanhã realiza-se a Marcha Global da Marijuana (MGM) em Lisboa, Coimbra e Braga. Na semana passada houve uma manifestação no Porto com cerca de 500 pessoas e realizaram-se muitas outras em várias cidades da Europa.

 

A propósito destes acontecimentos deixo aqui algumas considerações sobre os argumentos que têm sido invocados em defesa da legalização da marijuana, bem como a minha opinião acerca do relevo desse acto político.

 

1) Não é prejudicial à saúde e não cria dependência física. Quando Marx criticava a religião como sendo o “ópio do povo” não me parece que estivesse preocupado com a possibilidade da religião fazer mal à saúde e ser viciante.

 

2) O cânhamo pode ser produzido como matéria-prima para a indústria têxtil. Só será usado com esse fim se dessa forma se obtivessem lucros superiores àqueles que decorrerem da sua venda enquanto droga. O que é pouco provável. Mas, ainda que não seja assim, volto ao meu paralelismo com a crítica de Marx à religião. Não acredito que ele fosse sensível à defesa da bondade das religiões, a partir do argumento de que as Igrejas promovem uma série de actividades económicas e criam inúmeros postos de trabalho.

 

3) Tem virtualidades terapêuticas no combate à dor. Desconheço os estudos científicos que o comprovam. Acredito que haja experiências individuais que subscrevam essa tese, mas também sei que há pessoas que se sentem melhor depois de tratadas com placebos. Mas, admitindo aquela hipótese, então não deveria ser, tal como é o caso de outros analgésicos potentes, prescrita por um médico, tendo em conta a situação clínica do doente, as possíveis interacções com outros fármacos e eventuais efeitos secundários?

 

Em última análise, a questão não está na marijuana (como não está no álcool), mas no uso que se lhe dá. E parece-me evidente a existência de uma cultura que promove as drogas leves como meio de compensar uma existência frustrada, como “ópio do povo”.

 

Nem todos as usarão com esse fim? É claro que não. Mas isso não implica que lhes tenhamos que dar um relevo que elas não têm. Sejamos claros: a qualidade de vida dos indivíduos pode depender do exercício de uma profissão onde se sintam realizados, de rendimentos que não o obriguem a encarar angustiosamente os últimos dias do mês, de uma habitação confortável, da existência de serviços de saúde gratuitos, prontos e eficientes, da possibilidade de não ver frustrado o seu desejo de estudar e de se cultivar por razões de ordem económica, de desfrutar de tempos livres que lhe permitam dedicar-se a actividades e interesses variados e a não ficar confinado a uma vida que se esgota num movimento pendular “trabalho-casa”. A qualidade de vida não depende minimamente da possibilidade de fumar uns charros sem problemas.

 

É claro que a vida também é feita de “pequenos nadas”. Mas é nesse plano e não noutro que se encontra o consumo da marijuana. E, ainda aí, devo dizer que me custaria muito mais prescindir de um dia de sol, de uma boa refeição, de uma conversa entre amigos…, do que de um charro. Talvez por isso, qualquer sobrevalorização da sua importância parece-me suspeita. E convém dizê-lo: ninguém passa a ser mais inteligente, mais culto e mais interessante pelo facto de a fumar, E muito menos isso é uma atitude “de esquerda”. Há inúmeros idiotas e reaccionários para comprová-lo.

 

De tudo isto, deverá concluir-se que deve ser mantida como substância proibida? É claro que não. Da minha crítica do alcoolismo, também não se deduz a defesa da “lei seca”. Simplesmente, não dou à reivindicação da legalização da marijuana uma importância superior àquela que ela merece. Há apenas um argumento que me poderá motivar: o das vantagens da dissociação do mercado das drogas leves do das drogas duras.


António Cruz Mendes

publicado por José Manuel Faria às 18:26

Discussão do PDM de Odivelas em 2006 na Freguesia da Pontinha.

 

E em Vizela?

publicado por José Manuel Faria às 11:51

 

A  Entrevista à CDU:

 

 RVJ – Já afirmou que é sua intenção continuar a debater, na AMV, os problemas da população. Contudo, enquanto deputado, tem-se remetido já há algum tempo ao silêncio. Porquê, perguntará o eleitorado?

AM – Qualquer ideia que apareça na AMV para contrapor as questões que estão em discussão é, única e simplesmente, colocada para o lado.

 

AV – Isso chama-se arrogância política e prepotência.

AM – As ideias [da oposição] são rejeitadas ou alvo de risota.

 

RVJ – É por isso que não tem feito uso do tempo que na AMV lhe está destinado?

AM – Obviamente. Não me quero sentir como um “anfitrião de teatro”. Para ser alvo de risota, é melhor remeter-me ao silêncio, porque se calhar no silêncio, acabo por dizer mais.

publicado por José Manuel Faria às 11:35

 

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publicado por José Manuel Faria às 11:09

O Presidente da República defendeu ontem que as forças partidárias têm “responsabilidades muito particulares na construção de soluções de Governo”, sublinhando que nenhuma deve ficar de fora na procura de respostas para ultrapassar os actuais problemas do país. (Lusa).

 

As Televisões, rádios, comentadores e analistas, interpretaram esta e demais frases de Cavaco como um apelo ao Bloco Central ou pelo menos a não descurar essa hipótese. A insistência na tese de uma coligação pós – eleitoral, PS/PSD, é a tentativa do “sistema de interesses” económicos/financeiros/grandes empresários, preparar o País para esse facto consumado, caso o PS não obtenha maioria absoluta. E Cavaco não disse isso, apelou sim à procura de soluções governativas entre todos.

O facto dos actuais partidos parlamentares em princípio concorrem isoladamente, não coloca de lado qualquer entendimento pós-eleitoral, onde várias soluções podem ser testadas: PS/CDS; PS/PCP ( sem Sócrates); PS/BE (sem Sócrates); PS/PSD ou Alegre/BE/PCP. Sócrates pode não querer governar em minoria e ser substituído por outro dirigente, assim como o PR pode chamar o 2º partido mais votado, se entretanto o PS não quiser por e simplesmente governar sem maioria absoluta e tentar forçar eleições antecipadas. Não há necessidade de dramatizar, a Democracia portuguesa está suficientemente madura para dar a volta ao Problema.

publicado por José Manuel Faria às 10:59

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