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Mai 09

 

 

Trata-se, sem dúvida, de uma vitória de José Sócrates que, de um só golpe, se vê livre quer de um deputado incómodo, quer da ameaça de nascimento de um novo partido na área da esquerda democrática e reformista, que dividiria o PS e o poderia penalizar em termos eleitorais.

 

Por outro lado, afirma-se que Manuel Alegre teria conseguido garantir a eleição de alguns dos seus apoiantes. Seria o caso de Nuno David, Jorge Bateira e Elísio Estanque. Com isso, o “alegrismo” continuaria de alguma forma presente na AR e, ao mesmo tempo, José Sócrates pretenderia conter uma fuga de votos do PS para o BE. As personalidades que referi são pessoas com uma postura política claramente à esquerda da actual direcção do PS, mas ninguém estará em condições de garantir os resultados que resultarão da sua eventual intervenção parlamentar. Afinal, as “divergências políticas” referidas por Alegre como razão da recusa em candidatar-se pelo PS, não são suficientes para levar os seus apoiantes a fazer o mesmo? Para todos os efeitos, não sendo pessoas com o peso político de Alegre, é duvidoso que a sua presença nas listas de candidatos à AR, tenha consequências eleitorais significativas.

 

Finalmente, Manuel Alegre talvez tenha conseguido o apoio do PS para as próximas eleições presidenciais, onde gostaria de aparecer como um candidato federador das esquerdas. Resta saber se, nessa data, o seu capital político não terá sido já todo desbaratado.

 

Apesar de todas as dúvidas que possam ser levantadas, apesar de um certo sentimento de frustração que terá invadido alguns que esperavam de Manuel Alegre algo mais, será prematuro declarar que o diálogo que se iniciou entre as esquerdas com o Comício do Trindade e o Fórum da Aula Magna, chegou ao fim. Não é um processo simples e a impaciência não é boa conselheira.

António Cruz Mendes

publicado por José Manuel Faria às 17:47


As eleições iniciam-se muito antes do acto de dobragem do boletim de voto, e terminam  alguns dias (semanas) depois do encerramento das urnas.

Há muitos passos a dar num processo eleitoral tanto para eleições ao parlamento   Europeu, Nacional ou  local. Por isso, de modo algum, vou ser exaustivo no relato do mesmo. Quem conhece a “coisa” sabe do tempo que se perde desde o preenchimento da certidão a pedir a confimação do nº de eleitor  até ao momento da recontagem de votos com presença do Sr.Doutor Juiz. Este processo invisível para o analista, comentador ou jornalista passa absolutamente à margem, e só se torna motivo de interesse e notícia, caso aconteça algo de muito irregular: o morto que votou, o vivo que repetiu o acto, o candidato eleito para duas Junta de freguesia de diferentes Concelhos ou o eleitor que jurou votar no partido A ou branco, e o resultado final não o confirma.

Há episódios de hoje, que dificilmente alguém acredita na sua verosimilhança.

O processo de constituição das mesas de voto para quem conhece a Lei, e apresenta-se à reunião de boa fé resolve-se em 15/30 minutos e no fim bebesse um copo pago pelo presidente de junta. Como em tudo na vida há sempre quem queira complicar por desconhecimento do processo ou por tentativa de ludibriar o incauto. Exemplo: a Junta convoca a reunião para o dia X, às Ys horas, o primeiro verifica a legalidade das credencias dos representantes dos partidos/coligações e toca a nomear, por vontade própria, por consenso ou por sorteio, e as listas de nomes lá se vão encaixando na presidência, vice-presidência, escrutinadores e secretário. O processo mais rápido acontece quando há cinco listas: um elemento para cada cargo.O (s ) problemas aparecem quando os presidentes de junta armam-se em patrões das reuniões, e definem por arrogância e ou ignorância, a sós, imagine-se, a constituição da mesa de voto. Obviamente os ânimos aquecem, e desta luta só pode acontecer duas opções ou o representante da Lista sai e elabora um protesto a entregar até ao 15º ou 16º dia antes da eleição, ou, com coragem, enfrenta o touro e obriga-o a bailar em frente à capa vermelha até se espumar de raiva. Aconteceu no Oeste português, numa junta urbana! O presidente aborda o Delegado do Bloco de Esquerda e afirma do alto da sua sabedoria “ O BE tem direito a três nomes, a CDU a quatro, a coligação PSD/CDS um mais quatro, o PS a quatro e tenho aqui o nome de quatro bolseiros”. A Delegada do BE fica atónita. E atira, “o BE vai integrar cinco nomes e quer a presidência da mesa um.”, cai a máscara do PJ, afirmando em tom de empresário de uma micro – empresa ( sem desprimor)  que o BE é pequeno, insignificante e que das outras vezes tinha sido assim. O Delegado do BE, questiona se o PJ estava a gozar, este, altamente nervoso, afirma que não, e quem manda na reunião era ele. O caldo entornou-se. A combinação entre os quatro partidos e o Presidente foi estragada. O surrealismo da reunião atingiu tal ponto que:

1 – O Delegado do CDS não tinha credencial, e queria uma reunião rápida porque tinha a esposa em casa à espera;

2 – O Delegado do CDS, também representava o PSD! Inacreditável;

3 – O Presidente possuía os nomes de todos os partidos, antes da reunião! Eram os do costume;

4 – O Presidente queria à força impingir quatro bolseiros!

5 – O CDS , CDU e o PS aceitavam a decisão, e assistiam ao disparate sem abrirem a boca;

6 – Depois de muita falta de educação, misturada com excessiva gritaria, a Lei foi cumprida;

7 – Os nomes indicados foram distribuídos equitativamente:  PS, CDU e CDS procuram acrescentar mais um com intuito de não ficarem diminuidos em relação ao BE;

8 – O partido insignificante indicou 5, e entraram todos, claro.

9-  Trinta e Cinco Anos Após.

 

publicado por José Manuel Faria às 11:43

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