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Fev 11

 

"A favor desta revisão administrativa está Victor Cunha. O líder do Bloco de Esquerda de Vizela defende que “a economia do país não produz o suficiente para manter a máquina administrativa que é demasiado pesada para a riqueza que é gerada”. “Isso faz com que sejam os portugueses e os vizelenses a terem que pagar do seu bolso uma máquina obsoleta, que não nos leva a lado nenhum”, afirmou o político, referindo ainda que o BE só aceitará a redução de deputados após a regionalização. Sobre a redução do número de freguesias, Victor Cunha, depois da proposta chumbada na Assembleia Municipal, continua a defender que “com a CMV as freguesias de S. Miguel e S. João não precisavam de existir”. “Sabíamos que a proposta ia ser chumbada, porque ao nível local, PS e PSD são farinha do mesmo saco. Mas continuamos a acreditar que a razão nos assiste”, concluiu."


in Rádio Vizela

 

As freguesias de S. Miguel e de S. João têm de continuar administrativamente independentes.

As suas histórias, costumes, tradições, paisagens e gentes distinguem-se o que torna Vizela (urbe) mais rica.

As Juntas de freguesia possuem órgãos e competências próprias que fazem sentido, mesmo no século XXI.

Deve ser sempre, o presidente de junta a verificar “in loco” os buracos da rua, a necessidade do pré/primário ou receber a queixa da falta de visibilidade na curva da rua X.

As despesas com o pessoal político e administrativo das Juntas passam entre pingos de uma tempestade de custos públicos exagerados porque mal geridos.

publicado por José Manuel Faria às 11:08

 

"Esta mão que escreve a ardente melancolia
da idade
é a mesma que se move entre as nascentes da cabeça,
que à imagem do mundo aberta de têmpora
a têmpora
ateia a sumptuosidade do coração. A demência lavra
a sua queimadura desde os recessos negros
onde
se formam
as estações até ao cimo,
nas sedas que se escoam com a largura
fluvial
da luz e a espuma, ou da noite e as nebulosas
e o silêncio todo branco.
Os dedos.
A montanha desloca-se sobre o coração que se
alumia: a língua
alumia-se. O mel escurece dentro da veia
jugular talhando
a garganta. Nesta mão que escreve afunda-se
a lua, e de alto a baixo, em tuas grutas
obscuras, a lua
tece as ramas de um sangue mais salgado
e profundo. E o marfim amadurece na terra
como uma constelação. O dia leva-o, a noite
traz para junto da cabeça: essa raiz de osso
vivo. A idade que escrevo
escreve-se
num braço fincado em ti, uma veia
dentro
da tua árvore. Ou um filão ardido de ponta a ponta
da figura cavada
no espelho. Ou ainda a fenda
na fronte por onde começa a estrela animal.
Queima-te a espaçosa
desarrumação das imagens. E trabalha em ti
o suspiro do sangue curvo, um alimento
violento cheio
da luz entrançada na terra. As mãos carregam a força
desde a raiz
dos braços, a força
manobra os dedos ao escrever da idade, uma labareda
fechada, a límpida
ferida que me atravessa desde essa tua leveza
sombria como uma dança até
ao poder com que te toco. A mudança. Nenhuma
estação é lenta quando te acrescentas ne desordem,
nenhum
astro
é tão feroz agarrando toda a cama. Os poros
do teu vestido.
As palavras que escrevo correndo
entre a limalha. A tua boca como um buraco
luminoso,
arterial.
E o grande lugar anatómico em que pulsas como
um lençol lavrado.
A paixão é voraz, o silêncio
alimenta-se
fixamente de mel envenenado. E eu escrevo-te
toda
no cometa que te envolve as ancas como um beijo.
Os dias côncavos, os quartos alagados, as noites que
crescem
nos quartos.
É de ouro a paisagem que nasce: eu torço-a
entre os braços. E há roupas vivas, o imóvel
relâmpago das frutas. O incêndio atrás das noites corta
pelo meio
o abraço da nossa morte. Os fulcros das caras
um pouco loucas
engolfadas, entre as mãos sumptuosas.
A doçura mata.
A luz salta às golfadas.
A terra é alta.
Tu és o nó de sangue que me sufoca.
Dormes na minha insónia como o aroma entre os tendões
da madeira fria. És uma faca cravada na minha
vida secreta. E como estrelas
duplas
consanguíneas, luzimos de um para o outro
nas trevas"

 

 

Herberto Helder : A carta da paixão

publicado por José Manuel Faria às 10:34

 

"O CDS-PP anuncia hoje a sua posição oficial sobre a moção de censura que o Bloco de Esquerda vai apresentar a 10 de março e que já classificou de «inconsequente»."

 

A indecisão de Paulo Portas faz disparar para valores mínimos e extremamente preocupantes o índice PSI20. Espera-se que, ao final do dia o mistério se desfaça em nome da responsabilidade e estabilidade política que a Nação bem necessita.

publicado por José Manuel Faria às 09:29

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