09
Mar 11

 

 

 

Cavaco Silva fez um discurso fracturante em dia de tomada de posse. Quando se esperava um genérico apelo à união das forças vivas da sociedade no sentido de empurrar o país a sair da crise financeira/económica capitalista provocada pelos “suspeitos do costume”, Cavaco enveredou por um ataque de direita ao governo e às oposições de esquerda.

 

Cavaco apela à conciliação dentro das fábricas sem uma palavra para com os direitos e salários dos trabalhadores. Insiste no apoio às empresas privadas contra o investimento público. Dá vivas ao corte na despesa pública sem falar na necessidade de dar combate ao enriquecimento ilícito, taxação mais elevada à banca e às mais/valias bolsistas. 

 

Cavaco disse aquilo que o CDS e o PSD queriam ouvir. Espera-se um mandato belicoso.

publicado por José Manuel Faria às 18:46


 

Há uma maioria no Bloco de Esquerda ?

Há e não há … explico, há, desde a fundação do Bloco, uma coligação de três correntes, a UDP, o PSR e a Política XXI.

 

Mais outra explicação, não são “tendências organizadas”, tal como é definido pelos Estatutos bloquistas. São ex-partidos (a UDP e o PSR) que passaram a “Associações Políticas” e a “Centro de Estudos”  (Política XXI/Fórum Manifesto).

 

Mas são correntes organizadas ou não são? Estão organizadas, têm vida própria (ex: fazem congressos, editam imprensa e até pertencem a Internacionais) mas não se assumem como “tendências” estatutariamente reconhecidas.

 

Ou seja, a maioria é, afinal, uma soma de várias minorias não assumidas … entre essas minorias parece haver um acordo (que só essas minorias conhecem…) para que o controlo do Bloco de Esquerda não caia nas mãos de outras minorias que se assumem estatutariamente como tendências. Esse acordo tem uma face que o garante, é Francisco Louçã, apresentado pela imprensa como o “Líder”, mas estatutariamente o coordenador da Comissão Política.

 

É claro que as minorias que fazem a maioria do Bloco, são mesmo diferentes entre si. Diferentes no percurso que já fizeram, diferentes no património politico e ideológico. O controlo da organização do Bloco tem sido mais importante que a assumpção dessas diferenças. Tirando alguns resultados autárquicos medíocres e as últimas presidenciais, reconhece-se que esta coligação de minorias tem tido saldo quantitativo e qualitativo muito positivo.

 

Estas minorias são, de facto, diferentes entre si. Ainda bem, já que a diferença é motivadora de debate. Ou seria, já que essa diferença não é assumida. Entre ex-maoistas/estalinistas com uma evolução interessante (a UDP), trotsquistas (o PSR) e um sector proveniente do PCP, em evolução para um posicionamento social-democratizante de esquerda, seria positivo que as diferenças propiciassem debate. Mas não … o controlo da organização parece ser um imperativo mais forte!

 

Não obstante os Estatutos – aprovados também pela coligação de minorias -, o certo é que as outras minorias que não pertencem à direcção política, são, cada vez mais, remetidas para uma espécie de gueto no Bloco de Esquerda. Servem para exibir o ramalhete da pluralidade, mas no seio da organização, são marginalizadas e enxovalhadas em público por membros da direcção política.

E o mais caricato, é que as únicas tendências que se organizaram às claras e de acordo com o definido estatutariamente, foram correntes que não pertencem à coligação de minorias, também conhecida por maioria. Não criaram nenhuma “Associação Política”, constituíram-se mesmo em tendências organizadas de acordo com os Estatutos. São a “Esquerda Nova” e a Ruptura/FER.

 

Sobre cada uma destas tendências minoritárias, os membros da direcção política, pertencentes às minorias coligadas na maioria, periodicamente saem a público, i.e. na imprensa que nem é do Bloco, com tomadas de posição, onde o “parece que é” é misturado com mentiras descaradas com pitadas de meias-verdades ... até parecendo que o objectivo é “limpar” a organização ao sabor purgativo de tristes exemplos que a História regista!

 

Felizmente o Bloco de Esquerda é um partido-movimento diverso e plural no seu seio. Até porque, para além das minorias referidas, existem também muitas e muitos aderentes que não são de minoria nenhuma. São só do Bloco e pensam pela sua cabeça!

 

Uma das forças identitárias do Bloco foi a sua capacidade para convergir no seu seio, inúmeras experiências políticas e ideológicas. Essa convergência tem sido também um motor para o seu crescimento social e eleitoral.

 

A convergência de correntes de esquerda no quadro de uma organização política é um facto de importância estratégica nos dias de hoje. Mas, só por si, essa convergência nada provocará se não conseguir desenvolver-se de forma dinâmica, i.e. com mantendo sempre entre todas as correntes níveis crescentes de democracia, de liberdade e de transparência. Infelizmente, a convergência fundacional do Bloco de Esquerda tem servido, nos últimos anos, para a afirmação de uma liderança centrada numa pessoa e numa maioria que se eterniza à custa da diminuição da democracia interna, da perseguição mediática às minorias (correntes ou aderentes considerados individualmente) e de um controlo quase totalitário de toda a organização.

 

A crescente falta de democracia interna, não obstante o formalismo dos Estatutos, revela também um problema de crescente ausência de perspectivas políticas. Todo o processo relativo à intervenção nas últimas presidenciais é disso revelador. O pacto existente entre as minorias que compõem a coligação maioritária da direcção política, para assegurarem o controlo administrativo de toda a organização, provoca uma crescente ausência de debate interno. Ausência de debate não só em toda a organização, mas também entre as minorias que compõem a actual maioria. Ou seja, a obsessão do controlo da organização sobrepõe-se ao livre debate político e ideológico!

 

O Bloco de Esquerda é o conjunto dos seus aderentes e a pluralidade de todas as suas correntes. Foi assim que nasceu, foi assim que se desenvolveu, é assim que deverá continuar! Mas para isso, é urgente uma nova direcção política que saiba interligar aprofundamento da democracia interna com um permanente e livre debate político e ideológico no plano interno.

 

Quantas minorias tem o Bloco de Esquerda? Muitas e quantas mais melhor … porque num quadro de plena democracia interna, isso não é um problema, é um motor para mais crescimento, mais intervenção com maior capacidade política e social. São também condições necessárias para a intervenção do Bloco na reorganização do espaço da esquerda socialista e anti-capitalista em Portugal!

 

NOTA FINAL:  À esquerda a discussão não pode, não deve ficar confinada aos espartilhos partidários. A esquerda precisa de consensos transversais, precisa de convergências para que seja possível uma alternativa de esquerda e socialista de poder. Todas e todos os activistas de esquerda deveriam participar e aproveitar todos os espaços e foruns para discutirem com conclusões os desafios que se colocam ao socialismo nos tempos da globalização neo-liberal e capitalista. Disponibilidade para a discussão, não é perder tempo, é ganhar!

 

 

João Pedro Freire

publicado por José Manuel Faria às 13:38

publicado por José Manuel Faria às 10:29

publicado por José Manuel Faria às 10:09

 

 

O Bloco de Esquerda apresenta amanhã uma Moção de Censura http://www.esquerda.net/videos/coimbra-mo%C3%A7%C3%A3o-de-censura-em-debate que tem como fundamento central mostrar ao país que somos governados à direita por um partido que se diz de esquerda e com apoio da direita: PSD. Mostrar, que foi através deste paradigma neoliberal de cortes salariais, aumentos fiscais, apoio a bancos falidos que se tentou sem sucesso o combate à crise financeira/económica capitalista sem resultados práticos, mais, este tipo de medidas adensará o problema, pois, este é intrínseco ao sistema.

 

O debate e votação confirmarão a separação de águas: a direita com o governo, a esquerda contra Sócrates. O governo manter-se-á, infelizmente.

 

O BE fez bem? Sim, porque tentou derrubar Sócrates.

 

O BE fez mal? Sim, porque o seu anúncio a 1 mês da sua apresentação não foi o melhor e a discussão interna (Mesa Nacional) não existiu.

publicado por José Manuel Faria às 09:59

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