
"11. O Bloco de Esquerda fez uma campanha difícil e exigente. A proposta de auditoria e renegociação da dívida esteve no centro da campanha, ganhou credibilidade em sectores informados e constituiu-se como referência do debate político. A renegociação das dívidas soberanas polariza igualmente o debate político europeu, pouco presente na luta política nacional, mas decisivo para o país. Contudo, esta proposta foi prejudicada pelo facto de ser de difícil apreensão na sociedade. O Bloco de Esquerda foi claro e pedagógico na sua defesa, mas a sua popularização exigia uma alternativa política mobilizadora. Este factor de ordem subjectiva explica em parte, quer a quebra do BE, quer a estagnação do PCP. Ambos os partidos tinham uma proposta forte, mas não eram portadores de uma alternativa de governo vista como viável a curto prazo. Sem um terceiro pilar, um campo que reúna socialistas de esquerda, independentes, activistas e meios académicos que se situem para lá do BE e do PCP e que rejeitem as políticas da austeridade e da bancarrota, não há atalho que transforme a ideia de um “governo de esquerda” numa força propulsora capaz de mobilizar a sociedade portuguesa. Para que esta aspiração venha a ser uma realidade, tão importante é a predisposição para a unidade de acção, como garantir a identidade própria e autonomia de cada força das esquerdas."
