
(..)"Esperamos que Louçã tenha a noção do que transparece deste método de discussão: o polemista que não confia nos seus argumentos e que usa a confusão defensivamente dá o debate como perdido por antecipação. Pelo meio, Louçã, em pontos menores, modifica posições que teve anteriormente sem se dar ao trabalho de assumir os erros anteriores. Coisa conveniente a quem pode estar amanhã a defender o oposto.
No entanto, o feitiço vira-se contra o feiticeiro: no meio de tanta confusão, a própria Comissão Política do BE parece não saber o que defende. Recordemos que na altura do primeiro empréstimo à Grécia, pela mão da troika, o BE votou no parlamento a favor do mesmo (voto defendido aqui: http://www.youtube.com/watch?v=k4Kt-2fey-k). Porém, já não defendeu o mesmo (e bem) com a chegada da troika a Portugal. Agora volta a ziguezaguear: no jornal gratuito do BE em Novembro diz-se que é preciso “anular uma parte da dívida, como está anunciado para a Grécia”, mas a resolução da Comissão Política de dia 1 de Novembro diz, sobre a reestruturação da dívida grega, que: “Assim, a troca de títulos não impede a continuação da dinâmica insustentável da dívida grega.”. Pelo meio, parte dos militantes do BE presentes na Assembleia Popular de 15 de Outubro votou a favor da suspensão do pagamento da dívida. É possível que a dinâmica da luta os tenha esclarecido mais do que os comunicados da cúpula bloquista. São esses militantes que, ouvidos, podiam ajudar a redefinir a linha do BE. Mas Louçã já deixou também claro que tão cedo não lhes dará ouvidos.
E porque não dará Louçã ouvidos aos bloquistas – já nem falamos dos milhares de indignados sem partido - que defendem, conscientemente ou não, a suspensão do pagamento da dívida? Porque essa posição põe em causa a subsistência da UE e do euro, as grandes apostas da burguesia europeia de que Louçã parece não poder abdicar. Por isso, a cada momento as suas propostas vão sempre no sentido de manter estas estruturas: reestruturar a dívida para que esta possa ser paga, votar a favor do empréstimo à Grécia para que não haja incumprimento, apoiar a reestruturação grega primeiro, não apoiar depois quando ela corre mal, etc. Toda a proposta parece ter uma prova dos nove: se ajuda a manter a UE e o euro é boa, se desajuda é má! O critério é partilhado por Merkel e Sarkozy, tanto que este último não exclui os eurobonds defendidos pelo BE, e ambos querem reestruturar a dívida grega. A salvação da UE surge assim como eixo central da política bloquista.(...)"
FER