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Set 12

publicado por José Manuel Faria às 18:11



4 – NUM PARTIDO-MOVIMENTO A DIRECÇÃO É TODO O SEU COLECTIVO …

 

Eis que de um momento para o outro, o actual coordenador da direcção política do Bloco, resolveu introduzir a discussão da “renovação” da “liderança”. E fê-lo como a imprensa gosta: lançar nomes separados de políticas!

O Bloco de Esquerda não é uma monarquia nem propriedade de nenhum “líder”. Aliás essa figura de “líder” é estranha aos estatutos do Bloco e só ganhou força devido às exigências do circo parlamentar. Num partido-movimento como o Bloco de Esquerda todos os militantes são activistas e porta-vozes, por muito que isto não se enquadre nos esquemas do circo mediático e nos arquétipos da democracia liberal.

O actual “líder” do Bloco de Esquerda é, para todos os bloquistas, o coordenador da direcção política. A imagem de “líder” à semelhança de qualquer partido tradicional, em nada contribuiu ou contribui para tornar o Bloco de Esquerda um partido-movimento de activistas, militantes e porta-vozes do seu programa político. A imprensa habituou-se a reduzir o Bloco aos seus militantes mais conhecidos. Primeiro o “líder” e depois os deputados. Para além destes, a imprensa pintava sobre o Bloco um autêntico deserto.

É também uma verdade que a actual direcção política do Bloco cedeu às pressões da imprensa reduzindo, muitas vezes, a actividade bloquista à intervenção do grupo parlamentar. Esta não é uma crítica aos camaradas que são deputados. É uma crítica política às prioridades definidas pela direcção política do Bloco para a acção bloquista.

O espaço de intervenção prioritário do Bloco são as lutas sociais, são os movimentos sociais, é a intervenção com clareza no processo de luta de classes. E para esta intervenção o Bloco não precisa de “líder” à imagem de qualquer partido tradicional, não precisa de direcções bicéfalas que mais não fazem que contentar tratados de Tordesilhas entre correntes internas. O que o Bloco de Esquerda precisa é de reforçar essa intervenção social e a partir daí fazer de cada militante um activista e um porta-voz!

Desde um ponto de vista estatutário, não haverá nada a mudar. O coordenador da Comissão Política é o militante que encabeça a lista mais votada, em Convenção Nacional, à Mesa Nacional.

 

João Pedro Freire: núcleo de Matosinhos.

publicado por José Manuel Faria às 17:58

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