
DISCURSO PARA OS BOMBEIROS/LIDO NO PARQUE DE VIATURAS PELO PRESIDENTE ILÍDIO COSTA
Faz agora 26 anos que perdi o meu filho, com 7 anos de vida.
Faz já algum tempo tb que vi e li na internet uma histórica que me fez reviver os momentos trágicos que eu e minha mulher passamos nos Hospitais da Estefânia e Egas Moniz, em Lisboa, onde o nosso filho acabou por falecer.
Esta história de vida que vos vou contar, por sinal verídica, que com certeza alguns de vocês também já leram e conhecem e que está muito bem simbolizada nas muitas fotografias e estátuas existentes dum bombeiro com um menino nos braços, narra a história duma criança de 6 anos acossada por uma leucemia aguda.
Uma mãe pára ao lado dum leito no hospital, e muito embora o seu sofrimento, tristeza e angústia que sente, senta-se na beira da cama, pega nas mãos pequeninas do seu filho e começa a pensar o que ele poderia ser amanhã, caso sobrevivesse aquela terrível doença.
Ele abriu os olhos, sorriu para a mãe e ela perguntou-lhe: ”meu amor, o que queres ser quando fores grande?”
Ele respondeu: “mamã, eu sempre quis ser um bombeiro.”
A mãe sorriu e disse-lhe: ”vamos ver, meu amor, o que podemos fazer”.
De seguida, a mãe começou a pensar o que fazer e decide meter os pés ao caminho e ir falar com o comandante da corporação de bombeiros, a quem contou a história do seu filho e a quem perguntou se era possível que o seu filhinho visitasse o quartel e desse uma volta ao quarteirão num dos carros dos bombeiros.
O comandante comovido, disse: “nós podemos fazer muito mais pelo menino, minha senhora! Se dentro duma semana, às sete horas da manhã, o pudermos ir buscar ao hospital, passará um dia completo connosco e, se nos der as suas medidas, nós conseguiremos um uniforme completo igual ao nosso e faremos dele um bombeiro honorário”.
Na semana seguinte, o comandante foi ao hospital: pegou no menino ao colo, vestiu-lhe o uniforme de bombeiro e levou-o para o carro dos bombeiros que o transportou no banco de trás ao quartel.
O menino ficou tão contente e radiante que pensava estar no céu …
Comeu e brincou com os bombeiros e, como ocorreram algumas chamadas de socorro, acabou por sair três vezes em carros de bombeiros diversos: de fogo, de emergência médica e até no carro do comando.
O dia passou muito depressa, mas comoveu tanto, tanto o menino que ele acabou por viver mais 3 meses do que o normal, segundo informação médica.
Um dia, contudo, todas as suas funções vitais começaram a cair dramaticamente, o que levou a mãe a chamar ao hospital toda a família, mas lembrando-se da emoção e da alegria que o menino sentiu no dia que passou no quartel dos bombeiros, ligou ao comandante e pediu-lhe para enviar um bombeiro ao hospital para ficar com o menino.
O comandante respondeu: “nós podemos fazer muito mais, minha senhora! Pedimos-lhe um favor: “que informe a central do hospital para não pensarem, quando ouvirem as sirenes e virem a luzes dos carros, que se trata dum incêndio. Informe que é apenas o corpo de bombeiros a visitar no hospital um seu bombeiro honorário”. E pediu, ainda: “ p fv abra a janela do quarto do menino”.
Cinco minutos depois começou a ouvir-se as sirenes e a verem-se as luzes dos carros dos bombeiros. Estenderam a escada magirus até ao andar onde estava o menino e subiram 16 bombeiros.
Com a permissão da mãe, um bombeiro pegou no menino ao colo, acariciou-o e disse-lhe que gostava muito dele, que era um deles.
O menino olhou para o bombeiro e, já com voz muito débil, perguntou?
- “Eu sou mesmo um bombeiro?”
- “Sim, meu pequenino, tu és um dos melhores”.
O menino sorriu para o bombeiro, encostou a cabecinha ao seu ombro e fechou os olhos para sempre.
Nós podemos fazer mais!
Não esqueçam mais esta história e façam com que ela se repita todos os dias em que haja alguém que precisa de vocês, que precisa dos bombeiros; sejam: aquele homem, ou mulher, que vivencia todos os dias, em todas as horas, esta máxima, na senda do lema “VIDA POR VIDA”. Infelizmente, são já tantos aqueles que todos os anos engrossam o livro das memórias e das recordações, como há bem poucos dias aconteceu em Fafe …
Mas … o acontecimento mais dramático dos últimos tempos, do início deste século e deste milénio, foi o ocorrido a 11 de Setembro de 2001, nas Torres Gémeas em Nova Iorque, em que morreram 2996 pessoas, das quais 341 eram bombeiros e 2 paramédicos.
Vida por vida!
Não esqueçam: nós podemos fazer mais!
Parabéns a todos os condecorados e medalhados e PARABÉNS à Associação.
DISCURSO PROFERIDO NA SESSÃO SOLENE PELO PRESIDENTE JOÃO ILÍDIO COSTA
Hoje lembramos o passado e celebramos o presente.
É no presente que se formata e organiza a memória: memória que articula lembranças e silêncios, afirmações, negações e recusas.
Afinal, a história não é mais do que a compilação e a súmula destas realidades, em que o elemento base central são as pessoas, somos nós: os nossos bombeiros e bombeiras, os diversos elementos dos órgãos sociais e todos os amigos, com ou sem identificação.
Quando observamos os diversos eventos que marcaram a nossa história, salta-nos naturalmente à memória aquilo que tivemos oportunidade de vivenciar e sobretudo aquilo em que pudemos participar. Dentro do nosso visual temporal, recordamos essencialmente o centenário da Associação, a inauguração do quarte e as festividades dos 135 anos ocorridos no ano transato.
Dos 135 anos, o acontecimento mais recente, tomo a liberdade de destacar particularmente a inauguração da estátua ao bombeiro, que mais não foi que o cumprimento pela CMVizela de uma promessa antiga, mas que agarrou consigo algumas negações e recusas.
Caros amigos, não temos que dar importância a estas manifestações, devemos - sim – respeitá-las: temos, fundamentalmente, de valorizar esse gesto e o significado que o mesmo representa por parte duma população para com os seus bombeiros.
É tudo isto que nos faz lembrar o passado, no presente, comemorando a vida: a vida da nossa Associação, que agora é presente e futuro.
Para mim, a maior lição que retiro é a importância de ter amigos, da Associação ter muitos amigos.
Assim, todos os amigos da Associação, e dos bombeiros, são meus amigos tb.
A todos tenho a honra de chamar amigos: aos que vieram comigo até aqui e continuarão comigo no futuro, aos que deixei e reencontrei, aos que ao longo da vida foram o meu farol, aos amigos que aqui fiz.
Independentemente das divergências pessoais ou de outra ordem que possamos ter, todos os amigos da Associação e dos bombeiros são, assim, meus amigos tb.
Tenho muito orgulho nesta situação e realidade.
Tudo isto faz parte da memória colectiva; não queiramos, pois, fazer silêncio dessa memória.
Estamos a viver tempos muito conturbados, perturbadores e castradores: castradores das nossas aspirações e anseios, dos nossos direitos e mesmo das nossas liberdades.
Os próprios bombeiros em geral estão passando momentos muito difíceis, por motivos endógenos e exógenos, em que as responsabilidades e exigências são cada vez maiores, o que até achamos bem, mas em que as regras e imposições são apenas para uma parte e não para ambas.
É preciso buscar a dinâmica social, observar a colectividade como portadora de valores, com uma cultura política própria, e não de uma entidade passiva diante de um poder castrador.
Não tornemos o futuro em qualquer coisa vã, numa oportunidade perdida, condenada a não se realizar nunca, mas tornemo-la numa busca permanente e eterna, sempre guiada pelo farol da esperança.
Obrigado a todos por serdes meus amigos, serdes amigos de todos os que servem esta casa e esta causa, serdes amigos desta centenária Associação.
Uma felicitação especial a todos os sócios mais antigos, hoje homenageados tb.
PARABÉNS BOMBEIROS!
12 de Maio de 2013
João Costa – Presidente BVVizela
DDV