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Jul 14

 

(...) Por que razão António Costa parece ser mais à esquerda que António José Seguro?

 

Acho que aquilo que o António Costa parece um líder com mais autoridade e mais pulso que António José Seguro - isto é uma questão emocional básica. É um bom exemplo de que a racionalidade na política são amendoins. Se reparar, as propostas concretas de António José Seguro, na educação, na saúde e na Segurança Social, não diferem substancialmente das de António Costa. Tenho aliás ouvido muito pouco António Costa a falar sobre as suas propostas. Aquilo que está a dividir as pessoas de esquerda de dentro e fora do PS, tendencialmente a apoiar Costa, é uma questão estritamente emocional. Uma questão de personalidade, cognitiva e de emoção. Não vejo ninguém a dizer: "Eu apoio António Costa porque ele vai revogar o Tratado Orçamental assim que chegar a primeiro-ministro", e é muito pouco provável que o faça. nhar os A grande divisão são questões de personalidade e de circunstância. António José Seguro é um líder de perfil mais baixo e que chegou ao poder no PS numa fase de arrumar a casa. É o típico líder cujo o partido perdeu umas eleições e que tem de apanhar os cacos. Não tem também uma grande exposição mediática e não consegue portanto galvanizar fora das fronteiras do partido. António Costa tem um perfil contrário. Esteve sempre no poder, é presidente da Câmara Municipal de Lisboa, e além disso tem uma maior exposição mediática, acolhe as preferências da comunicação social. É uma questão de personalidade. Não há nada no domínio "diga qualquer coisa de esquerda".

E os problemas do Bloco são também de personalidade? Da passagem da liderança do Louçã para João Semedo e Catarina Martins?

O Bloco é um problema de personalidades. Nunca conseguiu resolver o seu problema inicial: três grandes personalidades, Louçã, Fazenda e Portas.

Mas isso não era a sua riqueza, essa ausência de líder único e essa pluralidade?

Era a sua riqueza, mas continha um impasse. Apesar disso, como o triângulo é a forma mais básica de relacionamento humano, enquanto estavam três as coisas ainda estavam equilibradas, até por causa da maior pluralidade política entre eles. Com a morte do Miguel, Fazenda e Louçã ficaram sozinhos e os problemas começaram a surgir. Não podemos esquecer que a liderança de Louçã já tinha conduzido a uma série de descidas eleitorais. Não é justo culpar disso o Semedo e a Catarina.(...)

Jornal i

publicado por José Manuel Faria às 08:28

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