"Comparados os dados em cada concelho, e olhando para os cinco partidos ou coligações que elegeram deputados (PSD/CDS, PS, BE, CDU e PAN), percebe-se que o Bloco de Esquerda foi o único partido que ganhou votos em todos os concelhos do país. Entroncamento (distrito de Santarém) e Portimão (Faro) ficam à frente com as maiores taxas de votação. Situação oposta teve a coligação PSD/CDS: a perda de votos aconteceu em 306 dos 308 concelhos. Vizela (distrito de Braga) e Felgueiras (Porto) foram os únicos casos onde o número de votos aumentou ligeiramente.
Já o PS e a CDU perderam em alguns locais, ganharam noutros. O PS perdeu votos em 50 concelhos: Vizela e Felgueiras voltam a ser os locais com as maiores quebras relativas e em Guimarães registou-se a maior descida em termos absolutos. Já alguns concelhos dos Açores, onde o PS ganhou, estão entre as maiores subidas de votos no partido. A CDU perdeu votos em 116 concelhos e ganhou em 189: Avis (Portalegre) e Mora (Évora) estão no topo das taxas de votação.
Uma comparação mostra que em 79 concelhos o partido mais votado não foi o mesmo de há quatro anos. A CDU perdeu cinco (Moita, Cuba, Viana do Alentejo, Aljustrel e Alpiarça) para o PS. Em 71 concelhos, o PSD viu os socialistas passarem à frente no número de votos. E o contrário aconteceu em três municípios — Guimarães e Fafe (distrito de Braga) e Santo Tirso (Porto) — onde o PS viu o PSD/CDS ter o maior número de votos, contrariando o que acontecia desde as legislativas de 2005.
Poderá a economia destes concelhos explicar as mudanças nas votações? Para tentar responder, recorremos a vários dados de cada concelho em 2011 e 2014: proporção da população a receber subsídio de desemprego, ganho médio mensal dos trabalhadores por contra de outrem, variação da população residente e de jovens, envelhecimento, poder de compra do município e per capita, taxa de sobrevivência das empresas, número de habitantes por médico e proporção de população residente a receber Rendimento Mínimo Garantido (RMG) ou Rendimento Social de Inserção (RSI). Sendo o desemprego o indicador referido como o que tem mais peso na avaliação do desempenho da economia, selecionámos os concelhos onde mais aumentou e diminuiu a proporção da população a receber subsídio de desemprego. Vizela (Braga), Guimarães (Braga), Ponte de Sor (Portalegre), Santo Tirso (Porto) e Vila Nova de Famalicão (Braga) foram os cinco concelhos onde o indicador mais melhorou, deixando de estar entre os dez concelhos com as piores posições. No extremo oposto está Barrancos (Beja), Albufeira (Faro), Povoação (Açores), Santa Cruz das Flores (Açores) e Sines (Setúbal), onde a percentagem de população a receber subsídio de desemprego mais se agravou. De 2011 para 2014, quatro destes concelhos (exceto Santa Cruz das Flores) passaram a estar entre as piores posições do país.
Uma das primeiras constatações é que alguns dos concelhos que mais pioraram no indicador do desemprego mudaram o sentido de voto. Vizela teve a maior quebra no indicador do desemprego e viu aumentar o ganho médio mensal dos trabalhadores por conta de outrem, deixando de estar entre os concelhos onde em 2011 se ganhava menos. O poder de compra subiu, a proporção da população a receber RMG e RSI diminuiu e a população aumentou ligeiramente (o que só aconteceu em 36 concelhos do país). Como em muitos outros concelhos, o envelhecimento acentuou-se e a taxa bruta de natalidade decresceu. Desde que Vizela é concelho (1998), o PS tem sido sempre o partido mais votado nas legislativas (37,59% nestas eleições). Este ano teve a maior queda de votos no partido, em termos relativos, e é um dos dois únicos concelhos com mais votos no PSD/CDS em relação a 2011, tendo também subido a votação no BE e na CDU".
- Vizela, foi um dos dois concelhos onde o PSD/CDS subiu a votação;
- Vizela, foi um dos dois concelhos em que o PS perdeu (em %) mais votos.