
"Eu acho que o be não ir a Cuba é muito compreensível. É a maneira mais segura de não terem que dizer bem do processo revolucionário que levantou um povo da lama e construiu uma nova forma de viver no caribe e de não ter que mostrar solidariedade, a forma mais segura de não ter que dizer bem para não ferir as susceptibilidades dos que apoiando o be gostam pouco de Cuba e muito de Luaty's, bombardeamentos na Líbia, terrorismo na Síria e nazi-fascismo na Ucrânia.
Mas também não terão que dizer mal para não bulir com a sensibilidade de muita gente socialista que respeita Cuba e a sua luta heróica e que o BE não quer afastar de todo.
E nada como ser tudo e não ser nada para agradar a toda a gente. Neste caso, como nos outros, o marketing pode funcionar para o BE, mas o futuro não se fará de indefinições. Em cima do muro não se fazem revoluções. Em cima do muro não há socialismo, só oportunismo."

Nem em seus piores pesadelos a hierarquia da Igreja poderia imaginar uma manchete como essa: um prelado do Vaticano declara sua homossexualidade e apresenta o namorado na véspera da inauguração do Sínodo dos Bispos sobre a Família. Trata-se do polonês Krzysztof Charamsa, de 43 anos, funcionário da Congregação para a Doutrina da Fé – o antigo Santo Ofício –, e secretário adjunto da Comissão Teológica Internacional do Vaticano na Pontifícia Universidade Georgiana de Roma, onde vive há 17 anos.
A declaração inequívoca do monsenhor Charamsa coloca o papa Francisco em particular e a Igreja católica em geral diante de uma realidade que ambos continuam empenhados em não ver. “Quero que a Igreja e minha comunidade saibam quem sou”, afirma o prelado, “um sacerdote homossexual, feliz e orgulhoso da própria identidade. Estou disposto a sofrer as consequências, mas é o momento de a Igreja abrir os olhos em relação a seus fiéis gays e entenda que a solução proposta para eles, a abstinência total da vida de amor, é desumana”.
Algumas consequências, como temia o prelado polonês, já começaram a ocorrer com uma celeridade jamais vista nas imediações da praça de São Pedro. Assim que teve conhecimento do assunto, o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, anunciou que o monsenhor Krzysztof Charamsa “não poderá continuar desempenhando as tarefas relativas à Congregação para a Doutrina da Fé nem às universidades pontifícias”, e criticou o momento escolhido pelo prelado para declarar sua homossexualidade: “Cabe destacar que, apesar do respeito que merecem os fatos e circunstâncias pessoais e as reflexões sobre eles, a escolha de declarar algo tão clamoroso na véspera da abertura do Sínodo é muito grave e irresponsável, já que deve submeter a assembleia sinodal a uma pressão midiática injustificada”.
Longe de se acovardar, o monsenhor Charamsa respondeu à expulsão anunciada por Lombardi apresentando seu namorado, Eduard, de origem catalã, à sociedade,estimulando “tantos sacerdotes homossexuais que não têm forças para sair do armário” a seguir seu exemplo e acusando o Vaticano de homofobia: “Peço perdão por todos os anos durante os quais sofri em silêncio diante da paranoia, da homofobia, do ódio e da rejeição aos homossexuais que vivi no seio da Congregação para a Doutrina da Fé, que é o coração da homofobia na Igreja. Não podemos continuar odiando as minorias sexuais, porque assim odiamos parte da humanidade”. Krzysztof Charamsa, que garante que escreverá uma carta ao Papa para explicar sua decisão, admite que —como suspeitava Lombardi— a data do anúncio não foi casual. Ao tornar pública sua declaração um dia antes que 270 padres sinodais —bispos, cardeais, religiosos e especialistas— se sentem para refletir sobre os novos modelos de família, o prelado polonês queria, realmente, agitar o debate: “Queria dizer ao Sínodo que o amor homossexual é um amor familiar, que tem necessidade de família. Toda pessoa, incluindo os gays, as lésbicas e os transexuais, têm no coração um desejo de amor e familiaridade. Toda pessoa tem direito ao amor e esse amor deve ser protegido pela sociedade, pelas leis. Mas sobretudo deve ser cuidado pela Igreja”.
Sacerdote desde 2003, Krzysztof Charamsa afirma que sempre soube que era homossexual, mas que no início não queria aceitar porque “ia contra o princípio da Igreja de que a homossexualidade não existe e tem de ser destruída”. O prelado disse que passou da negação à felicidade de ser gay “graças ao estudo, à oração, ao diálogo com Deus e à confrontação com a teologia, a filosofia e a ciência”. Conclui o prelado que, ainda que o catecismo considere a homossexualidade uma tendência “intrinsecamente desordenada”, ele —que pelo menos até agora foi professor de teologia na mais prestigiosa universidade pontifícia— não encontrou na Bíblia sequer uma página que fale de homossexualidade."