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Mar 17

"(...) É a diferença entre o valor do défice estar abaixo dos 3% ou estar no 1,7%, que é a previsão do governo...

O problema é saber qual é o objetivo. Ou seja, nós achamos que os países devem ter défices baixos. O problema é que nós reconhecemos que o nosso país não será capaz de controlar o problema do défice sem resolver o problema da dívida e é preciso uma restruturação da dívida porque nós gastamos mais em juros da dívida do que em todo o Serviço Nacional de Saúde e, portanto, estamos aqui num problema insolúvel. Porque um país deve ter contas saudáveis, é isso que nós defendemos. Agora, nós temos conversado com o governo, seguramente, sobre a necessidade de haver investimento nos serviços públicos e de haver investimento que possa criar emprego. Porque, se já foi provado, como o caminho até agora, que a recuperação de rendimentos era boa para a consolidação orçamental, é também lógico que o investimento será bom para a consolidação orçamental. Um país que funciona melhor é um país que tem contas públicas mais fortes. E, portanto, é preciso dar esse...

Como é que será possível fazer isso com uma meta que aponta para um défice de 1,7%, sendo que, entretanto, haverá uma parte da recapitalização da Caixa - e já vamos falar disso - que vai entrar no défice e, portanto, a pressão durante 2017 vai ser enorme e não se vai cumprir, muito provavelmente, o 1,7%, porque não é possível se entrar dinheiro da capitalização da Caixa?

Um dos maiores problemas de termos tido um défice tão baixo o ano passado é a pressão europeia para um défice ainda menor este ano e, portanto, haver um garrote maior sobre o investimento e sobre a capacidade dos serviços públicos de responderem. É por isso que o Bloco de Esquerda acha que é um erro querer-se ser sempre o bom aluno da Europa, ou seja, o bom aluno das más políticas. São políticas que estão a provocar problemas económicos, democráticos, sociais etc. por toda a Europa e este governo mantém o consenso europeu, digamos assim, que existe entre a direita conservadora e os socialistas europeus para cumprirem estas metas impossíveis e que não permitem aos países reconstruírem as suas economias como é preciso. Isso preocupa-nos. No Bloco de Esquerda achamos que a governação deve ser feita para contas saudáveis, que as contas saudáveis não se medem pelo défice ou só pelo défice, medem-se pela forma como se chega a esse défice e medem-se, seguramente, pelas questões do endividamento externo. E o endividamento externo português mantém-se alto e, portanto, as questões sobre, por exemplo, a fatura energética ou o problema das importações se devem pôr e o Bloco tem trabalhado muito sobre isso. E devo dizer que temos trabalhado com o governo, ou seja, há pontos em que temos trabalhado juntos. Esta semana, o governo reduziu para metade os subsídios às elétricas porque aprovou a proposta do Bloco de Esquerda sobre a garantia de potência no Orçamento do Estado. Portanto, há matérias que pareciam intocáveis aqui há uns tempos - [risos] quantas vezes é que a troika dizia que era preciso mexer nas rendas da energia e nunca se mexeu - e que agora estão a andar. E, portanto, reconhecemos isso e esse é um trabalho conjunto que ainda bem que fazemos. Agora, é certo que para haver...

Não deixa de ver um tom crítico nalgumas das políticas do governo...

Para existir, a prazo, uma redução do endividamento externo do país é preciso não só ter a capacidade de investimento como de restruturar a dívida pública e isso será uma consolidação das contas públicas muito mais sustentável a prazo e muito melhor para a economia do que estar a cumprir números europeus que, de facto, significam muito pouco sobre as condições concretas da nossa vida e da nossa economia.

Mas aí o governo já disse que só fará essa discussão quando a Europa a estiver a fazer em conjunto, que não a fará unilateralmente.

É um erro, porque é uma discussão sempre adiada.

Provavelmente será, mas sem o Partido Socialista e o governo também não é possível fazer essa discussão.

Não significa que não possa haver uma alteração até das maiorias sociais, em Portugal, sobre essa matéria. Eu lembro que há quatro anos ou cinco quando o Bloco de Esquerda falava destas matérias falava sozinho e chamavam-nos caloteiros. Agora, não há nenhum economista, da direita à esquerda, que não reconheça, a bem da honestidade...

Que não fale da dívida pública.

...que é preciso restruturar a dívida pública."

Catarina Martins

publicado por José Manuel Faria às 12:05

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