"Como habitante do centro de Lisboa, faço parte de uma rede de vizinhos que lutam pela melhoria das condições de vida na zona. Esta semana, um deles comunicou que todos os habitantes do seu prédio, na Rua da Madalena, foram "convidados" a sair até maio, apesar de alguns terem contratos de arrendamento até 2020 e outros habitarem o edifício há mais de 40 anos. O imóvel pertencia à mesma família há cinco gerações e, após a morte da proprietária, foi vendido, em setembro, por três milhões de euros. A primeira coisa que os novos donos fizeram foi desligar a luz das escadas e despedir a pessoa que as limpava, ignorando as cartas dos arrendatários no sentido de reporem a iluminação e a limpeza.
Este tipo de selvajaria, que tem sido reportado por vários arrendatários pressionados a sair e inclui até atitudes criminosas como retirada de corrimãos, parece ser cada vez mais frequente. Isso mesmo resulta da sessão organizada na semana passada pelo presidente da Junta de Santa Maria Maior, Miguel Coelho, com o nome "Rostos dos despejos" e na qual se ouviram relatos pungentes, de idosos que nasceram nas casas das quais receberam agora ordem de despejo - na maioria dos casos por o prédio ter sido comprado e ir para obras -, a famílias mais jovens cujos contratos não foram renovados ou a quem pedem o dobro ou triplo para renovar. Mas, face a eles, vejo sobretudo apelar para a revogação da chamada "lei Cristas".