"António Costa, no discurso de encerramento do Congresso do Partido Socialista (PS) e na qualidade de seu secretário-geral (SG), apresentou indicadores positivos resultantes da ação do Governo a que preside e da maioria parlamentar que o suporta, e identificou bem alguns desafios que se colocam à sociedade portuguesa no seu processo de desenvolvimento. Contudo, faltou-lhe solidez, por exemplo, no que se refere aos condicionalismos ao investimento (problema da dívida), aos desequilíbrios entre os cenários imaginários associados às novas tecnologias e a falta de respostas ao presente contínuo das empresas, dos serviços públicos e privados e das pessoas, no plano do emprego, das condições de trabalho e da preparação das novas gerações. António Costa primeiro-ministro (PM) não pode ignorar os compromissos do António Costa SG, nem as insuficiências e contradições deste. A semana que se seguiu mostrou-nos que estamos em tempo de jogos perigosos e de proliferação de sombras, nos planos interno e internacional.
Foram importantes, a tomada de consciência do grave problema demográfico com que o país se depara, bem como a afirmação da necessidade de se melhorar a qualidade de emprego e de se criarem condições para conciliar a vida profissional e familiar. Estes objetivos, num contexto em que se conseguiu alguma descredibilização das "vantagens" da pobreza forçada, da precariedade e da emigração da juventude, deviam ser assumidos na sua plenitude. Entretanto, de imediato foi criado um cenário da sua desvalorização através de medidas anunciadas no "Acordo de Concertação Social" que o Governo, as confederações patronais e a UGT celebraram.(...)"