
"O Governo toma medidas de direita e acusa os professores de ao não aceitá-las serem responsáveis “por trazer de novo a direita”. Continuamos no caminho dos afectos - a manipulação emocional como argumento político. Dos abraços aos beicinhos. Assim se mostram adultos governantes ao país que os elegeu. O império da razão iluminista afoga-se na primeira lágrima.
Quem quer ganhar um país a sério tem que ganhar os professores que nele ensinam. Este Governo salvou três bancos da falência dos seus investidores argumentando “risco sistémico”. Já avisou esta semana que está cá para salvar mais. Se tiver que ser, explicou Centeno.
Este sistema de ensino não está em risco - está em parte já no colapso, que se vê nas taxas de adoecimento dos professores e nos resultados deficientes dos alunos. São eles - os professores sem condições - que têm evitado o pior. E estamos longe do melhor. Cada vez mais longe. Os resultados, cuidadosamente mascarados no PISA com bom “desenvolvimento de competências” não ocultam a incapacidade de acompanhar com qualidade os alunos nas disciplinas que exigem abstração, memória e concentração. Sim, o PISA - que os próprios sindicatos erradamente defendem - mede a adaptação da força de trabalho ao mercado e não a aquisição do conhecimento universal, estruturado. Há um risco sistémico de a educação de todo o futuro virar um simulacro - nenhum país civilizado desrespeita a carreira dos que ensinam.
A democracia não é chantagem. É a escolha livre de quem governa, para quem governa e com que programa governa. Não é a ameaça de que ou se aceita o mau ou vem aí o péssimo.
Já temos idade - como país - para não ter medo do papão. Nem de quem com ele ameaça."
"António Costa, no discurso de encerramento do Congresso do Partido Socialista (PS) e na qualidade de seu secretário-geral (SG), apresentou indicadores positivos resultantes da ação do Governo a que preside e da maioria parlamentar que o suporta, e identificou bem alguns desafios que se colocam à sociedade portuguesa no seu processo de desenvolvimento. Contudo, faltou-lhe solidez, por exemplo, no que se refere aos condicionalismos ao investimento (problema da dívida), aos desequilíbrios entre os cenários imaginários associados às novas tecnologias e a falta de respostas ao presente contínuo das empresas, dos serviços públicos e privados e das pessoas, no plano do emprego, das condições de trabalho e da preparação das novas gerações. António Costa primeiro-ministro (PM) não pode ignorar os compromissos do António Costa SG, nem as insuficiências e contradições deste. A semana que se seguiu mostrou-nos que estamos em tempo de jogos perigosos e de proliferação de sombras, nos planos interno e internacional.
Foram importantes, a tomada de consciência do grave problema demográfico com que o país se depara, bem como a afirmação da necessidade de se melhorar a qualidade de emprego e de se criarem condições para conciliar a vida profissional e familiar. Estes objetivos, num contexto em que se conseguiu alguma descredibilização das "vantagens" da pobreza forçada, da precariedade e da emigração da juventude, deviam ser assumidos na sua plenitude. Entretanto, de imediato foi criado um cenário da sua desvalorização através de medidas anunciadas no "Acordo de Concertação Social" que o Governo, as confederações patronais e a UGT celebraram.(...)"


Para Carlos Pinto, a posição do atual presidente do PSD foi a “gota de água”. Apoiar a eutanásia, escreve o histórico, é “colar o PSD a um momento de retrocesso civilizacional” e uma decisão que “marca a rutura com a afirmação humanista, mas também marcadamente cristã, que constituíram base de valores fundacionais do próprio partido”. Entre vários outros ataques à liderança de Rio, o antigo deputado garante que “o PSD de hoje não passa de um partido sem memória”.
Na semana passada, chegaram críticas ao posicionamento de Rui Rio sobre a morte medicamente assistida, vindas das bases. O PSD de Coimbra aprovou um voto contra os projetos de legalização da eutanásia, exigindo uma discussão interna do tema. “A Rui Rio só se conhece uma posição genérica, em abstrato, no capítulo de um livro. O PSD é democrático, não é presidencialista”, disse o presidente da concelhia, Nuno Freitas.(...)