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Jul 18

O atual executivo municipal, saído, relembre-se, de um incompreensível acordo pós-eleitoral entre o “Movimento Vizela Sempre” (a dissidência do PS) e a coligação de direita (PSD/CDS) “Vizela É Para Todos”, persiste em tornar-se um caso sério de estudo, ao mostrar-nos, com recurso a inimagináveis modelos e referências de ação política e filosófica, a genuína arte de bem sofismar. Isto é e mais prosaicamente, a habilidade de bem travestir, falaciosamente, o negativo em positivo, o mau em bom, a mentira em verdade e a ilusão em realidade. O último exemplo, que nos foi apresentado é, por demais, paradigmático: urge rever o Plano Diretor Municipal (PDM), aprovado há pouco mais de 5 anos, uma vez mostrar-se que o prescrito nos artigos destinados à defesa e à salvaguarda do património edificado do centro histórico de Vizela estabelece, afinal, a sua elevada vulnerabilidade e a garantia da sua própria destruição. Em matéria de bem sofismar, estaremos, sem sombra de dúvida, perante uma inédita e brilhante tese.

Na realidade, este executivo municipal, impulsionado pelas boas graças de um já garantido financiamento de mais de dois milhões de euros, aprovado pelo anterior executivo socialista, destinado, apenas e só, a recuperar o edificado degradado no centro histórico de Vizela, pretende vir a alargar e a viabilizar, em toda a atual zona de salvaguarda, alterações na área e na cércea do seu pré-edificado, indo ao encontro de particulares interesses imobiliários. Com fina subtileza e perspicácia, uma das características dos sofistas, afirma a necessidade de se expurgar os interditos e as limitações do documento, pois “não se pode falar em requalificação urbana sem que haja um PDM devidamente adaptado a essa realidade”. Ora, como todos bem sabem, as conveniências particulares imobiliárias dificilmente se compaginam com os interesses coletivos, pelo que, em nome de uma ilusória “requalificação urbana”, teremos garantida uma dramática destruição do património urbano de Vizela, muito bem travestida de legal.
Nesta linha da argumentação política e filosófica, desenvolvida pelos sofistas do município vizelense, não espantará que, por exemplo: 
- perante as modelares práticas de conservação do património urbano seguidas pelo município vimaranense, os sofistas de Vizela venham a argumentar que, se copiadas, redundarão perniciosas para o património urbano de Vizela, mesmo que a cidade de Guimarães se tenha tornado em importantíssimo modelo referencial de conservação universal e se orgulhe, desde 2001, da classificação pela UNESCO como Património Mundial; 
- diante a irrepreensível política de reabilitação urbana adotada por Guimarães, assente na execução conjunta da requalificação e valorização do espaço público, na recuperação do edificado, no apoio técnico e financeiro à iniciativa privada, na manutenção da população residente e na salvaguarda e manutenção do pré-edificado em total respeito e observância das técnicas construtivas tradicionais, venham os sofistas de Vizela a alegar que não servirá de referência para Vizela, por ser nociva para o seu património urbano; 
- e perante a perfeita e correta ação política desenvolvida pelo município vimaranense na defesa e preservação do seu património urbano, facto essencial para a proteção da sua memória coletiva, constituindo-se, por sua vez, em património cultural, venham os sofistas de Vizela a argumentar que a sua reprodução em Vizela será funesta para a sua memória, cultura e identidade.
Como não sou sofista, sei que nunca conseguirei disfarçar a vergonha e o enorme embaraço quando confrontando pela destruição do património urbano de Vizela perpetrado pelos seus próprios filhos.  Por isso, tudo farei o que esteja ao meu alcance para que a história não venha a registá-los como aniquiladores das poucas referências ainda existentes da nossa memória coletiva. É que, permitam-me o desabafo, não foi para assistir a este desaforo que eu e muitos dos meus companheiros de luta do Movimento para a Restauração do Concelho de Vizela nos batemos, durante 25 anos ininterruptos, pela nossa autonomia administrativa.

Eugénio Silva.

publicado por José Manuel Faria às 11:56

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