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Abr 09

O líder do Bloco de Esquerda (BE) vai trabalhar nesta jornada eleitoral que se aproxima com os olhos postos no futuro. Nesta entrevista, Francisco Louçã deixa clara a sua ambição de, um dia, vencer o PS com uma "grande convergência de esquerda" na qual conta com Alegre e com parte do próprio PS. 
Quando é que o deixamos de ver na rua ao lado dos manifestantes e o passamos a ver como apoiante de uma solução governativa?
Estou nas manifestações por convicção. Quando os professores se manifestaram contra o sistema de avaliação, tinham razão. Vou estar sempre que as pessoas têm razão. 
Quando é que o vamos ver do lado da solução? Tem rejeitado sempre coligações pós-eleitorais, afirma que não participará em nenhum Governo para viabilizar, por exemplo, uma maioria PS...
Claro que não. O envolvimento do BE na luta social nasce da convicção de que uma política socialista tem que surgir de uma maioria no país, de uma mobilização de forças. Para mudar o país, é preciso força social e essa força está nas pessoas, não está em arranjos políticos.
Não existe, no Parlamento, nenhuma força política com quem se possa entender?
Podemo-nos entender em função de programas políticos. Mas quando nos perguntam se estamos dispostos a apoiar programas políticos contra o qual nos batemos porque isso dá jeito ao PS, a resposta é não. Nós apresentamo-nos às eleições com um programa de Governo, mostrando como queremos governar. Achamos que entrou em colapso a política neoliberal de José Sócrates e a de governos anteriores. Votamos contra o Código de Trabalho, como é que podíamos pedir votos para derrotar essa lei e depois participar num Governo que aplica essa lei? 
Não acredita em fazer mudanças por dentro? 
A política não tem mudanças por dentro. Nós não entramos num Governo para tomar chá com os ministros com os quais discordamos frontalmente. As pessoas votam no BE pelos valores e convicções, não podemos trair essas convicções. O PS não tem problema em fazer cedências, o dr. Paulo Portas oferece-se todas as semanas para fazer cedências ao PS...
Não teme estar a entregar o poder à direita? Porque é que se recusam a negociar?
Nós negociamos políticas. Nós recusamos o Código de Trabalho, a política sobre educação e sobre o Serviço Nacional de Saúde. Apresentamo-nos com um programa de Governo de ruptura com as políticas socialistas. Só conseguiremos a maioria - como conseguimos no segredo bancário - se tivermos a força e a convicção das pessoas de que é preciso mudar. Tem de ser a democracia a dar-nos força, não é um arranjo político com quem está contrário ao nosso ponto de vista e tem maioria. Não nos colaremos ao PS, temos de o vencer.
José Sócrates já se terá entendido com Manuel Alegre para este integrar a lista de deputados do PS. Chegou a acalentar a esperança de ter Alegre ao seu lado nas campanhas deste ano?
Não faço comentários sobre o que não conheço. De resto, houve uma convergência grande - e há, e haverá - entre muitas pessoas que respeitam o seu nome de socialista. Alegre terá sempre um papel muito destacado nessa convergência de uma esquerda coerente. 
O facto de Alegre estar dentro do PS aproxima mais o PS do BE?
As posições políticas de convergência entre o BE e deputados como Manuel Alegre foram extraordinariamente importantes, puseram em causa a política que o Governo estava a seguir e deram um sinal de esperança para o país e a esquerda. E foi por coerência, e foi por isso que foi tão vilmente atacado. A direcção do PS percebe que há muitos eleitores que não suportam a arrogância desta maioria absoluta. Por isso a convergência é tão prometedora.
Esteve na forja um movimento que juntava BE, a ala alegrista do PS e dissidentes do PCP?
Não, não, não. Nós dissemos sempre que as iniciativas de convergência valiam por si e não tinham uma agenda escondida. Fazer um novo partido é um trabalho de longuíssimo prazo. Devo dizer que é preciso uma nova força maioritária para a esquerda portuguesa. E ela terá de resultar da convergência de muitas pessoas diferentes, muitas delas que hoje estão ou votam no PS. De certeza absoluta. Essa grande esquerda portuguesa é precisa e levará tempo a fazer. Tem de ter raízes populares, tem de ter convicções, tem de saber bem o que quer. É um longo caminho de convergência, que já começou com estes diálogos e não está subordinado a datas eleitorais. Não se faz de um dia para o outro, mas fabrica-se com muita gente e tempo.
Manuel Alegre esteve no último ano muito próximo do BE e um facto é que, desde há um ano, o Bloco quase duplicou as intenções de voto nas sondagens. Beneficiou de um "efeito Alegre", que agora começa a diluir-se?
Nós vemos as sondagens com muita humildade. Mas as sondagens são a muito tempo das eleições e são muito diferentes entre si. Se há um efeito dessa convergência? Eu creio que o BE ganhou muito nestes quatro anos pelas suas propostas alternativas. Mostrámos que somos alternativa de governação.
Quando o BE chega ao poder, as coisas não correm muito bem, como aconteceu em Lisboa. Será falta de vocação para se entender com a esquerda?
Não, pelo contrário. Em Lisboa, correu mal, de facto, tivemos um desentendimento com o vereador sobre um ponto muito importante para o nosso programa, que ele tinha subscrito: a adjudicação por ajuste directo à Mota Engil de uma parte importante da frente ribeirinha por 30 anos. É uma coisa com a qual não podemos concordar. É isso que os eleitores têm de saber: o BE, se tem um compromisso nas eleições, vai cumpri-lo.
Este ano, o BE vai ter outro candidato próprio a Lisboa ou vai tentar ainda que Helena Roseta aceite o seu apoio?
Não, vamos apresentar um candidato próprio. Tivemos algumas conversas [com Helena Roseta], mas o movimento preserva as suas margens de independência e não via como possível uma convergência mais alargada como pretendíamos. Não é tempo ainda, lá chegaremos. Vamos ter um candidato forte, um nome forte do BE. É uma disputa importante. 

 

in http://jornal.publico.clix.pt/

publicado por José Manuel Faria às 11:33

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