25
Abr 09

 

O 25 de Abril faz 35 anos em Vizela 11. O golpe de Estado que derrubou o fascismo pode ter semelhanças com as continuas lutas que derrubaram as muralhas medievais e imperialistas de Guimarães. A preparação e operacionalização dos militares no combate à Ditadura têm semelhanças às lutas institucionais de bastidores e clandestinas pela Independência de Vizela.

Nunca mais teremos dias festivos, populares, igualitários e esperançosos como os dias, semanas, meses ou 1 /2 anos que se seguiram à Revolução dos Cravos. A que alguns naqueles tempos detestaram e deram a volta com uma contra-revolução a 25 de Novembro encaminhando dizem, o País na senda capitalista da democracia parlamentar ocidental. O País alterou-se radicalmente. No fascismo, a ditadura no combate à liberdade de expressão, reunião ou associação era firme. Um governo que sacrificava os seus jovens numa guerra injusta e condenada internacionalmente. Na defesa de um Império à custa de mortos nacionais e ditos terroristas africanos. Uma ilusão criada do Ultramar é nosso em que quase a totalidade do País acreditava, pois estava amordaçado, vigiado, analfabetizado e emigrado.

Foram centenas de milhares de portugueses que tiveram de procurar a vida na Europa Ocidental e América Latina, reconstruindo a primeira à custa de sangue, suor e lágrimas de saudade deixando, pais e ou filhos num Portugal orgulhosamente só. Com fome de alimentos e de fé numa transformação social, educativa, cultural e económica.

 

Valeu ao País uma elite política e social que nunca deixou cair a esperança, e que por isso sofreu no exílio ou nas cadeias levando porrada, tortura física ou a horrível técnica de não deixar dormir. Muitos vacilaram, compreensivelmente, outros morreram sem abrir a boca. Quem tem menos de 45 anos não faz, não tem, não imagina o terror que era viver nessa época. Os vigilantes profissionais da polícia politica, assim como os bufos do regime estavam em todo o lado, à procura de indícios subversivos.

 

O novo regime democratizou o acesso à educação, ao sistema nacional de saúde, à mobilidade social – terminando com a rotina do filho de médico, será médico, filho de lavrador, agricultor – à liberdade de reunião e organização de partidos políticos, à liberdade de dizer Não, de manifestação, protesto e indignação. À liberdade de poder ser Poder, de optar, de criar, de inventar.

 

Os indicadores sociais e económicos apontam um Portugal melhor, muito melhor. Mas longe daquilo que a maioria do povo quer. O povo está farto da mentira, da injustiça, porque não se faz justiça, morrem 59 pessoas por cai uma ponte e não há culpados, comprova-se a corrupção e apanham 5 000 euros de multa ou prisão suspensa. Violam-se crianças e um bom advogado resolve. A maioria da população ou está desempregada ou ganha 450 euros ou está na miséria absoluta. Entretanto 20% ganha 7 vezes mais que os mais pobres. Gestores públicos reformados com milhões, vencimentos públicos superiores ao do presidente da República, dinheiros de todos jogados na roleta das acções e o Zé povinho a assistir. Não pode ser, o povo tem uma arma valiosa o voto secreto e secretamente tem a possibilidade de correr com os sanguessugas que nos rodeiam, sempre à procura de sugar o desprevenido, o homem sério aquele que é honrado. Nesta sociedade parece que só o esperto, o reguila, o malandro se safa . Os bons têm que ser mesmo muito bons ou passarão para segundo plano.

 

A Democracia é o pior regime à excepção de todos os Outros. Continuamos à Espera da dita. Uma Democracia popular de verdadeiras oportunidades para todos.

 

“A Todos o que é de Todos”.

 

Viva o trigésimo quinto aniversário da Revolução de Abril.

publicado por José Manuel Faria às 13:12

5 comentários:
"A Democracia é o pior regime à excepção de todos os Outros" - CHURCHILL é o autor desta frase!

Gostei do seu discurso, na generalidade!
Nostradamus a 25 de Abril de 2009 às 16:24

Também gostei do que li. Vamos tendo esperança de que um dia viveremos em plena Democracia.
Mª do Resgate a 25 de Abril de 2009 às 19:35

Eu sei Nostradamus . Sou Democrata, mas não no sentido anti-socialista. Democrata - Radical, radical de raiz, do fundo.

Eu acredito numa Democracia total e a esta eu chamaria Socialismo na verdadeira acepção da palavra " A cada um segundo as suas necessidades", é utopia, talvez, e depois!
José Manuel Faria a 25 de Abril de 2009 às 21:26

Parabéns pela reflexão.
Que as desilusões não esmoreçam o sonho e a esperança!
Luz a 25 de Abril de 2009 às 21:39

Tal como prof.JMF , penso que todos nós partilhamos do mesmo ideal, uma Democracia Plena, em que um regime democrata se envergonhe das diferenças sociais que existem, que o verdadeiro espírito de Abril, seja uma realidade no quotidiano, não preconizo a igualdade no sentido real da palavra, dado isso ser impossível, mas sim, uma melhor distribuição da riqueza em que os mais desfavorecidos tenham o suficiente para viverem condignamente. A promoção do mérito deverá ser um continuum em qualquer ramo de actividade, pois, será o motor do progresso, do trabalho, fortalecendo a responsabilidade e a autonomia. Qualquer que seja o partido que governe, se estes pressupostos estiverem assegurados, construiremos um futuro melhor para todos.
Nostradamus a 26 de Abril de 2009 às 18:28

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