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Mai 09


Seguindo as principais campanhas eleitorais (a do BE, mais de perto, as outras pelos órgãos de comunicação social), que balanço posso fazer no final desta primeira semana?

 

Vital Moreira não tem carisma e anda à deriva. Não colhe simpatias nem à direita nem à esquerda e no próprio PS parece-me que o vêm como um corpo estranho e, até mesmo, um bocado incómodo. A questão da oportunidade (ou não) do debate de questões nacionais no quadro das eleições europeias, do apoio (ou não) à recandidatura de Durão Barroso à Presidência da Comissão Europeia e da criação (ou não) de um Imposto Europeu, são exemplos do desnorte que campeia nas hostes da sua candidatura. Periodicamente, José Sócrates aparece em seu socorro para fazer oposição à oposição. Os fiéis parece que gostam do seu estilo desabrido… A mim, já me falta paciência.

 

As figuras de Manuela Ferreira Leite e de Paulo Rangel de alguma forma complementam-se. A primeira trata das “coisas sérias” (aparece, por exemplo, a intervir nos colóquios “Portugal de Verdade”), o segundo dedica-se à “pequena política”. A trica do dia é o seu tema e Vital Moreira o adversário preferido. E nessas matérias não lhe tem sido difícil somar vitórias. Resta saber se essas escaramuças rendem votos ou não.

 

Ilda Figueiredo aparece sempre bem rodeada por apoiantes, comunica facilmente com a população e tem conseguido fazer passar no fundamental as grandes linhas da mensagem política da CDU, onde se associa a defesa dos direitos dos trabalhadores à defesa das suas concepções “nacionalistas” em relação à União Europeia.

 

Miguel Portas é facilmente reconhecido e está à vontade nas acções de rua, no contacto com as populações, mas é claro que não tem ao seu serviço um “aparelho” como o do PCP. Tem procurado fazer uma campanha pedagógica, centrada nas questões colocadas pela crise económica e social. É, talvez, a única que tem dado destaque aos problemas ambientais E, para já, também a única com acções de campanha especificamente voltadas para a juventude. Face às questões europeias, pronuncia-se a favor da superação do défice democrático que ainda tolhe a EU, pelo fim dos paraísos fiscais e pelo reforço das políticas de segurança social. Perspectivando-se a probabilidade de crescimento do número de deputados eleitos, nota-se a preocupação de difundir a imagem da Marisa Matias (socióloga e investigadora da Universidade de Coimbra), nº 2 da lista de candidatos, e de Rui Tavares (historiador, colunista do Público e comentador da SIC), nº 3, ainda pouco conhecidos da maioria dos eleitores.

 

Na campanha do CDS, como na do Bloco, nota-se a falta da máquina partidária e dos meios financeiros que alimentam outras campanhas. Nuno Melo, que tem tido uma prestação destacada como deputado na AR, não parece muito à vontade nas funções de candidato. A coisa espevita quando está presente Paulo Portas que está como peixe na água nos mercados e nas feiras. Mas ainda estão para surgir ideias fortes que expliquem porque se deve votar no CDS em vez de no PSD.

António Cruz Mendes

publicado por José Manuel Faria às 17:53

6 comentários:
Ah, Ah, ah, ah! Desculpa, mas não pude evitar o riso ao ler os teus lamentos sobre a falta de "meios financeiros" para agitar a actual campanha eleitoral...

De resto, aceb explicar que:

A 23 de Maio de 1934, uma patrulha de agentes policiais conseguiu atrair Bonnie & Clyde para uma emboscada numa estrada poeirenta da Louisiana, onde foram assassinados a sangue-frio.

Na América dos anos 30, da Grande Depressão e das Vinhas da Ira, Bonnie & Clyde, através dum conjunto de assaltos audaciosos a bancos, bombas de gasolina e lojas, conseguiram captar a imaginação do povo americano, tornando-se ícones duma contra-cultura de insubmissão e resistência.

75 anos depois, o FBI divulga 1000 páginas sobre o mais famoso casal de gangsters. O mesmo FBI que só foi capaz de emboscar e assassinar Bonnie & Clyde, através da clássica delação de associados menores...
Clyde a 29 de Maio de 2009 às 18:12

Caro Clyde:
No meu post faço referência à desproporção de meios financeiros que suportam as diferentes campanhas. A mim, parece-me evidente aos olhos de todos: Mas deixo-lhe alguns números para poder fazer uma avaliação mais exacta: o PSD prevê gastar 2,2 milhões de euros; o PS 1,5 milhões; o BE 725 mil. Quanto ao "aparelho" julgo que nuinguém duvida que o número de funcionários e militantes com que contam os dois maiores partidos (e também o PCP) é incomparavelmente maior do que aqueles que tem um partido relativamente jovem (10 anos), como é ocaso do Bloco. Enfim, tudo isto são coisas que toda a gente sabe. Não descobri a pólvora.
Quanto ao mais, penso que estaremos de acordo em três coisas: 1) levar uma mensagem política a dez milhões de pessoas custa dinheiro; 2) nomear deputados em vez de os eleger seria mais barato, mas não seria preferível; 3) os gastos excessivos são condenáveis.
antónio cruz mendes a 29 de Maio de 2009 às 19:20

concordando em parte consigo, apenas dizer que como diz, a Ilda aparece sempre com muita gente, tem iniciativas com muita gente, e isso não é explicavel nem com dinheiro nem com o numero de funcinários do partido! trata-se tão só de dinamica de campanha que a propripa candidata imprime, (muito mais á vontade e eficaz na rua que Miguel Portas), por a campanha ser no terreno "dirrigida" por um partido que conserva e estimula a militancia activa, não depende do dinheiro que eventualmente tenha para pagar a empresas! milhares de militantes por todo o país nos CENTROS de TRABALHO do PCP( é por isso que não se chama sedes), militancia, dedicação, e candidatos com perfil para fazer campanha de rua, comicios, etc... ou seja o oposto do Vital!!!! hi hi hi...
Anónimo a 29 de Maio de 2009 às 20:16

Ilda Figueiredo nem sempre aparece muito acompanhada, e já teve acções que se revelaram muito pouco participadas.

È lógico que um partido que tem umas centanas de funcionarios, pode sempre destacar 20 ou 30 para acompanharem a candidata.

O problema de fundo é a crediibilidade, e apesar de ser uma mulher empenhada Ilda Figueiredo, não tem a credibilidade de Miguel Portas.

Talvez porque é incapaz de ouvir os outros, talvez porque nunca tenha aprendido a dialogar, talvez porque não seja capaz de respeitar opiniões diferentes das do seu partido.

a.pacheco a 29 de Maio de 2009 às 21:59

Nuno Melo é o Maior!!!
Como deputado na AR tem brilhado.
Porque se deve votar no PP e não no PSD???é muito simples.. Nesta legilatura o PP com os deputados que tem conseguiu meter mais propostas na AR do que os deputados dos PSD todos juntos.
Isso significa TRABALHO.!
Anónimo a 31 de Maio de 2009 às 05:35

Ó Pacheco desculpe lá a pergunta, mas está a escrever directamente de Marte?
está noutra galáxia ?
Credivilidade?
Miguel Portas mais Credível !?
Em que?
Para que?
a credibilidade ganha-se pela acção concreta, pelo trabalho realizado, e pela prestação de contas destes 5 anos de mandato!
e Miguel Portas, não fez mais do que passear pela Europa!
A Ilda Figueiredo e o Pedro Guerreiro, fizeram essa prestação de contas! os números não enganam!!
isso sim tornar os candidatos mais ou menos credíveis !, não é a fotogenia!!!
Anónimo a 1 de Junho de 2009 às 12:34

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