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Jan 10

 A um ano do acto eleitoral as presidenciais já mexem, e por consequência os partidos englobam-nas em suas discussões internas e externas, à excepção do PCP, onde impera o ortodoxo centralismo interno. Este momento eleitoral em tudo é diferente dos demais: Um eleitor com o mínimo de 35 anos – uma tontaria constitucional, a idade maior é aos 18-, operário, analfabeto, engenheiro, reformado ou doutor por exemplo, depois de recolher 7 500 assinaturas, torna-se candidato presidencial, quer isto dizer, que não são os partidos políticos ou qualquer outro tipo de organização que impõe qualquer regra/norma ao candidato, esta é portanto, a eleição mais aberta e livre que acontece no Portugal de Abril.

A Presidência da República é o órgão máximo do Estado, imagine-se os poderes do mesmo.

Neste momento politico/social muito particular em que vive o País: as análises, conjecturas, perspectivas são extremamente imprevisíveis o que obriga a extremas cautelas quanto à apresentação de candidaturas como a putativos apoios - temos um governo minoritário do PS que no essencial continuará as mesmas políticas do anterior, provavelmente até mais difíceis para os trabalhadores, tendo em conta o aperto financeiro que fará na redução da despesa pública, veja-se o congelamento de salários.

Manuel Alegre, histórico e importante membro do PS, assume-se como o primeiro candidato a PR. Alegre sabe quão difícil será a tarefa que se avizinha, caso Cavaco Silva tente a reeleição. A área ideológica denominada de direita tem o seu “problema” resolvido, com mais ou menos apoio, mais sapo ou menos sapo, votam em Cavaco. O problema, sem aspas, é à esquerda, aqui sim, há imensas dúvidas. A principal que se coloca é: Alegre sozinho tem possibilidade de vencer, de destronar Cavaco numa primeira volta? Não. Manuel Alegre outsider em 2005 reuniu socialistas, independentes e bloquistas, curiosamente num contexto difícil, tinha três adversários à esquerda com apoios partidários e superou-os. Hoje, como há 4 anos, Alegre não faz o pleno da esquerda, mesmo tendo o apoio declarado das direcções do BE, PS ou PCP. As incoerências e ziguezagues colaram-se ao corpo: de Vitalino Canas a João Soares, há dirigentes e milhares de militantes que não o “engolem”, também no BE e ainda mais no PCP, o candidato de modo algum é consensual para um frente a frente à primeira com Cavaco.

Manuel Alegre teve uma oportunidade de ouro durante o passado mandato de se afastar do Socratismo “eucaliptal”, poderia ter abandonado o PS, e criado um movimento socialista anti/liberal ou mesmo um partido político “charneira” entre o PS e o BE, rasgando as vestes direitistas da actual direcção socialista.

Neste cenário político: Cavaco com toda a direita e centro/direita a acrescentar milhares de independentes, e uma esquerda nada unida, só há uma resposta alternativa anti/Cavaco vencedora - parecendo paradoxal, as esquerdas devem apoiar candidatos distintos, dito de outro modo, as esquerdas ganham com a proliferação de candidatos, que de um modo ou de outro, “roubem” votos a Cavaco e que o eleitor não se abstenha com o objectivo de Alegre defrontar Cavaco no segundo round, e nesse momento sim, há possibilidades de vitória.

O sistema eleitoral adoptado para a eleição Presidencial tem um “espírito” livre, quero dizer, foi criado com a intenção de numa primeira fase optarmos pelo “nosso” candidato, e caso não vença, há uma segunda volta, onde a escolha será eliminar o menos bom ou o pior.

A eleição de 2011 apresenta um Portugal político semelhante a 1986.

 

in Notícias de Vizela, edição nº 1302- 28 Janeiro 2010 noticiasdevizela@mail.telepac.pt

publicado por José Manuel Faria às 11:39

5 comentários:
unir a esquerda é Alegre
PS a 29 de Janeiro de 2010 às 13:06

O Portugal de hoje nada tem a ver com o Portugal de 1986, e sim com o Portugal de 2001.

De um lado Cavaco Silva que representava menos de 40%

Do outro Alegre , Louçã, Soares e Jerónimo que representavam 60% .

A dispersão deu o resultado que deu ...

Tudo se vai decidir á primeira volta, entre o Cavaco ou outro candidato da direita, e o candidato do centro esquerda , que neste momento só vejo hipoteses de ser o Alegre.
a.pacheco a 29 de Janeiro de 2010 às 19:21

Queria escrever Portugal de 2006 e não 2001 como escrevi
a.pacheco a 29 de Janeiro de 2010 às 19:23

"De um lado Cavaco Silva que representava menos de 40%

Do outro Alegre , Louçã, Soares e Jerónimo que representavam 60% .

A dispersão deu o resultado que deu .."

- Nãio percebo! Então quem votou em Cavaco ( 50%)?
José Manuel Faria a 29 de Janeiro de 2010 às 19:37

A dispersão de candidatos á esquerda , levou que algum eleitorado do centro e centro esquerda decidisse o voto em Cavaco.

Aliás em 1986, o candidato da diretia era Freitas do Amaral que vinha do CDS, e gerou anti-corpos no PSD, Balsemãio , Velentim Loureiro, e a então militante do PSD Helena Roseta, colocaram-se ao lado de Soares.

Zenha tinha o apoio do então presidente Eanes do PCP e de parte do PS.

Maria de Lurdes Pintassilgo com todo o seus prestigio pessoal, e sendo uma candidata independente, teve votos de todas as areas politicas.

E mesmo assim Freitas só não foi eleito por uma unha negra, na segunda volta.

A dispersão de candidatos, acaba por ser sempre util ao candidato mais forte, e neste caso é Cavaco que parte com mais hipoteses.

Para ser vencido a esquerda tem de se apresentar UNIDA e logo á primeira volta.
a.pacheco a 30 de Janeiro de 2010 às 17:51

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