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Jun 14


por BAPTISTA-BASTOS Hoje

 

A briga no PS pode ser críptica se confundirmos o seu significado. Que querem, um e outro, António Costa e António José Seguro? A briga é, apenas, mera e indecorosa questão do poder pelo poder ou, antes, um problema ideológico? Seguro fez um trajecto cauteloso e astuto no PS. Calou-se e colocou-se de atalaia, sem nunca manifestar opinião sobre os desenvolvimentos da política de José Sócrates. E saltou para a arena quando Sócrates foi cercado. Como têm dito dirigentes do PSD e comentadores de direita, como o Marcelo ou o Marques Mendes, ele é proveitoso às políticas de Passos Coelho. Os próprios resultados das eleições para a Europa provaram que o português médio fora prudente na decisão. A verdade é que António Costa, goste-se ou não do estilo e da oportunidade, provém de outro forno e traz consigo outra marca. As afirmações que tem produzido induzem-nos a pensar, acaso precipitadamente, estar disposto a reformular a estratégia "socialista" firmada por Seguro, e a estabelecer acordos e compromissos à esquerda.

Não acompanho a comoção dos que viram na simbologia do punho esquerdo cerrado e da reintrodução dos vocábulos "socialismo" e "classe operária" o regresso à pureza inicial do léxico "revolucionário". O PS é o que é e o que sempre foi. Precisa é de mais vergonha na cara e de escrúpulo e pudor no comportamento, ele, que se associou, durante anos seguidos, à direita no seu pior e mais execrável. Acontece um porém: na aparência, António Costa demonstra uma conduta ideológica que define um estilo e assinala uma diferença. Mas a política é uma comédia de enganos e já vi muito para ir atrás do banjo de qualquer suserano. Aguardo para conhecer as cartas.

Convenhamos, porém, que Seguro, cuja trajectória tenho seguido, por vezes com caretas de apreensão, não dispõe do estofo de estadista e carece daquela ética republicana que faz de um homem vulgar um cidadão inabalável. É um almofadinha, como já alguém disse e escreveu. Há anos, desenvolto moço, azougado, mas já grave, declarou, numa entrevista ao Expresso, que estava muito cansado da política autóctone mas amplamente disponível para se deslocar para o Parlamento Europeu. E foi (1999-2001).

O que tem dito e feito parece-me seguir essa linha prudente que embala um destino sem grandeza e sem brilho, mas acautela um futuro tranquilo. Nunca poderia transformar o PS noutra coisa senão aquilo que o PS é e tem sido. A incógnita consiste em saber-se o que quer António Costa. Claro que a manifestação "espontânea" de Ermesinde, onde o insulto e o ultraje fizeram morada, não apazigua o conflito no PS. Pelo contrário. As feridas que se abriram ou reabriram são infectocontagiosas. Como afirmou o Marcelo, esta disputa é "música celestial" para o PSD.

publicado por José Manuel Faria às 09:09

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