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Mar 20

Há aqui quem considere que esta Ministra – e seu gabinete face à pandemia – estão a atravessar uma situação muito difícil e merecem todo o apoio. Eu estou entre os que acham que nós estamos a atravessar uma situação muito difícil e com esta Ministra e este Gabinete não temos solução alguma. Eles são parte do problema, não da solução. Quem pensa o contrário face às evidências, está preocupado em salvar o Governo, não o país. Puseram-nos em risco. Falharam. E este meu artigo não é sobre como falharam em 40 anos, em 10 anos, e em 3 meses. Mas como estão a falhar hoje, e como vão falhar amanhã.

Em Espanha o Governo teve pelo menos a humildade de criar um Gabinete de crise para analisar os erros que cometeu, criou-o de emergência para evitar novos erros. Não é hora de defender o Partido e o Governo, mas de assumir erros que, sem correcção, nos levarão ao abismo. Aqui os erros multiplicam-se a cada dia. Veja-se este exemplo: há milhares de portugueses convencidos que o Estado de Emergência decretou a quarentena e o encerramento de estabelecimentos não essenciais. Isto é falso. Pelo contrário. Há milhares de fábricas, que são cadeias de contágio, a laborar, inclusivé o aeroporto e transportes públicos. Todos os aeroportos deviam ter sido encerrados a não ser para emergências e abastecimentos.

Não se queixem das pessoas que, duas a duas, andam na praia e nos jardins (sim, a incompetência é tal que fecharam os jardins, ao ar livre!). O problema destas pessoas não é quando vão ao jardim passear. É que saem de manhã para ir para a fábrica onde estão mais 100, vão de comboio, chegam à fábrica para produzir peças sem qualquer utilidade para a sociedade neste momento, e a seguir ainda têm que levar comida aos avós, que estão sozinhos, para os quais o Governo não previu uma cadeia de 

abastecimento própria e cuidados. E depois têm que regressar ao seu apartamento de 40 metros quadrados sem sol, onde cumprem a quarentena. E fazem-no, com disciplina. É isto que se está a passar. O passeio ao ar livre na Póvoa e o descanso na praia são – tudo indica – os lugares mais seguros neste Estado de Emergência.

É que se tiverem o azar de ficar doentes vão para um hospital onde escasseiam os meios de protecção dos profissionais que vos vão tratar. E agora perguntam: mas estes erros não são os de todos os Governos? Não, já aqui demos exemplos de Governos que com menos erros lidaram com a crise, e sem o tempo e o saber dos erros dos outros. Não estou a falar dos erros de dez anos a destruir o SNS, nem da colossal incúria dos últimos 3 meses, estou a falar dos erros de hoje. Dos lares já contaminados, sem políticas de saúde pública coordenadas (em Espanha o Governo pediu desculpas e promete pelo menos indemnizações, mas, o mais importante agora, reconheceu o erro e actuou com medidas tardias, mas claras). O Governo português ignora as medidas mais urgentes, em nome de não malograr o tecido económico não essencial, esperando que os médicos e os enfermeiros resolvam tudo no fim da linha, e eles próprios sem protecção… Aqui o que prevalece no Estado de Emergência é a obrigação de manter as fábricas a laborar – foi para isso que ele foi decretado. E por isso ele vem acompanhado da proibição da greve. Aliás, Costa, com a voz firme que usa muito quem erra muito, disse-o na entrevista. Para quem quis ouvir: é preciso que o país não pare. Quando o país lhe está a dizer temos que parar em tudo o que não é essencial.

Há dois dias, um mês depois, e 4000 mortos depois, a Itália aceitou o erro e mandou parar as fábricas não essenciais. Aqui continuamos a mandar lavar as mãos e andar de Metro; queixamo-nos da praia, espaço livre a aberto, mas nada dizemos das fábricas fechadas onde centenas produzem talheres. Sim, nada como garfo e faca à mesa, costas direitas, e voz firme, para rumar ao precipício e depois puder dizer, com a voz mais doce, “fizemos tudo o que estava ao nosso alcance”.

Pelos comentários ansiosos a defender o PR e o Governo, já cheios de ódio a quem o critica, observa-se que há muita gente que já fez as contas à vida. O Governo geriu isto de forma catastrófica, e já estão os membros do Governo e milhares de funcionários incompetentes cuja único curriculum eram os cartões dos Partidos e o seu acesso privilegiado por essa via ao aparelho de Estado, ansiosos pelo seu futuro. Fazem bem em estar. Ninguém vos perdoará o falhanço, por mais mediatizada que seja a voz firme de Costa e a ausência de oposição. Esta é a hora de defendermos com a máxima seriedade o país e a população, só isso pode orientar cada um de nós, é aí que a nossa ética vai ser posta à prova perante as nossas famílias colegas, população. E isso implica dizer a estes ansiosos incompetentes que não podem estar ao leme da coisa pública ao serviço de todos nós.

Raquel Varela

publicado por José Manuel Faria às 12:38

comentário:
Alguém com lucidez, que vai ao encontro de muitos portugueses.
Anónimo a 26 de Março de 2020 às 14:06

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