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Nov 19

O resultado das escolhas que os militantes partidários fizerem nas próximas eleições internas acabará a produzir, com natural mimetismo, idênticos resultados finais nas próximas Eleições Autárquicas de 2021.

Deste modo, todo e qualquer candidato à liderança partidária, de entre muitos outros créditos e virtudes, deverão oferecer aos seus correligionários e, particularmente, aà sociedade máximas garantias de que gozam de honestidade, credibilidade, competência, isenção e independência. Um bom resultado eleitoral passará sobremaneira por estes princípios, onde a sociedade e a própria democracia só terão a ganhar. O contrário será a certeza de estrondosa derrota

Deste modo, independentemente da matiz ideológica, qualquer candidato à liderança partidária não deverá temer falar do passado. E esse passado, uma história única e singular, constituir-se-á num sério e rigoroso rumo que nos mostrará quem somos, de onde vimos e para onde vamos. Ou seja, é sempre esse passado que nos dá a compreensão do presente e nos orientará a direcção do futuro. Assim, não é nem nunca será desejável que um putativo candidato à liderança partidária venha a renegar o passado, por mais negativo que se apresente. O que será desejável é que não o esconda e que tudo faça para que não volte a repetir-se, o que, obviamente, nunca se materializará com os mesmos protagonistas do pretérito. Se assim for, significará, será sempre, um duro golpe contra a democracia derivado de reiteradas subversões das responsabilidades e do próprio esvaziamento da credibilidade política e dos seus representantes. Não concederá credibilização partidária quando, perante demasiados casos, ilícitos e trapalhadas sem fim a envolver candidatos à liderança partidária, quase todo o universo militante permaneça envolto em total silêncio complacente. Nem trará virtude política clamar pela separação entre o que é da política e o que é da justiça apenas para se evitar discutir a real dimensão desses sombrios casos. Pelo contrário, transportará muita probidade política se, em nome do rigor, da verdade e da transparência, o que já é e sempre foi do domínio político não só permita como imponha uma clara discussão sobre todos esses casos, os quais não podem nem devem ficar pendentes de futuras avaliações jurídicas.  

Não consentirá elevação a qualquer candidato à liderança partidária quando  este optar por fazer a separação entre o que é da política e o que é da justiça apenas para evitar discutir a verdadeira dimensão das obscuras embrulhadas. Ao invés, trará integridade se o que já é público, tudo aquilo que se pretendeu esconder e muito menos explicar, não só permita como exija uma séria discussão política acerca dos factos que não podem nem devem ficar pendentes de uma avaliação futura. Se assim for estaremos perante comportamentos políticos que já permitem uma avaliação ética e moral, à margem da qualificação para fins e efeitos da esfera judicial.

Trará virtude política ao candidato que ambiciona permanecer em determinadas funções políticas se proclamar que aceita a sujeição aos superiores deveres de escrutínio público. Pelo lado contrário, nunca encaminhará valor e nobreza partidária quando desejar manter-se em atividade apoiado por correligionários a quem nunca ouvimos uma palavra que fosse a respeito da sua adequação política, ética e moral nem por parte de outros dirigentes seus apoiantes, especialmente, daqueles com quem trabalhou no passado.
Muito para além do debate sobre o que é ou não é aceitável como comportamento do putativo candidato, emergirá, desde logo, uma certeza que não precisará de ser analisada. Mostrar-se-á, de forma clara, os riscos da falta de transparência nas relações entre responsáveis públicos e interesses particulares. E mesmo que não haja nem se prove os indícios de eventuais dolos, tornar-se-á óbvio, desde há muito tempo, que há falta de transparência.

E nunca haverá futuro para um partido político quando o suposto candidato mostra uma deliberada opção pela hesitação do pensamento e paralisia na ação. Ficará nítida que essa atuação política girará apenas na imperiosa vontade de subsistir. Chegar-se-á, então, ao momento crucial na vida política e no futuro do próximo líder, pois terá de revelar a sua verdadeira natureza: pretende manter escondido o passado e aceita transgredir quando está em jogo a sua própria sobrevivência?
Fazer política é escolher. A minha escolha num destes processos eleitorais será a de sempre. Opto pelo caminho e pela exigência do rigor, da verdade e da transparência, a única forma de se emprestar virtude ao candidato a líder e, consequentemente, credibilizar o partido.

RV

 

publicado por José Manuel Faria às 17:23

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