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Jul 15

 

O governo grego foi posto perante uma escolha trágica entre uma saída do euro, com consequências incalculáveis para o seu povo e a União Europeia, e um novo resgate, com condições duríssimas. Escolheu o novo resgate e comprometeu-se a submeter a respetiva proposta ao Parlamento. Em contrapartida, a Grécia não foi expulsa da Zona Euro como o governo alemão propôs, com apoio das vozes mais extremistas. O Parlamento grego dirá a última palavra.

Não são conhecidos todos os detalhes do novo resgate, nem o valor da contrapartida que parece existir em termos de reestruturação da dívida. Mas, do que se conhece, pode concluir-se que a Grécia é obrigada a aceitar mais austeridade em cima de uma depressão causada pela austeridade, contra a promessa de uma reestruturação da dívida no futuro. Desta forma, o governo alemão e a liderança da Zona Euro quiseram enviar uma mensagem a todos os povos da Europa: toda a dissidência será castigada.

O que aconteceu ontem foi uma tentativa cruel de consumar uma refundação ilegítima, antidemocrática e violenta da Zona Euro e, evidentemente, da União Europeia. Uma refundação onde as regras punitivas, limitadoras da democracia e destruidoras da economia europeia passam a ocupar todo o espaço, servindo apenas alguns países (talvez um só país) dominantes e dominadores e uma política monetária e orçamental que não pode deixar de fazer da Europa um espaço fragmentado e em declínio no mundo. Na verdade, uma Europa com capacidade política para se organizar como espaço económico comum, integrador de diferenças e promotora de progresso desapareceria se esta refundação ilegítima for avante. Se não há hoje uma sociedade política coesa e solidária, um projeto de futuro, também não haverá sequer uma economia conjunta.

Com uma economia desfeita, sem capacidade para criar riqueza e emprego, sujeito a uma dívida asfixiadora, Portugal é um elo fraco, que se seguirá à Grécia como objeto da sanha punitiva que grassa entre os que detêm o poder de mando. O governo português, cúmplice e calado, não se limita a pisar os terrenos da inação e da incapacidade – pisa os terrenos da traição, da entrega do país, sem visão nem honra, a quem o amesquinhará. Com as posições ouvidas na cimeira da Zona Euro, ficamos a saber como seremos sujeitos ao apoucamento da economia e das nossas vidas. A denúncia da posição do governo português tem, pois, de ser feita de imediato.

É também claro que não basta hoje manifestar solidariedade com a Grécia ou declarar que se quer uma União Europeia capaz e digna, que assuma as responsabilidades que o projeto europeu estabeleceu no passado. Não é já de posições de princípio que se trata. É urgente que todo o país declare que a linha vermelha foi pisada e que se exprima com clareza a denúncia, a recusa, a urgente reversão do caminho trágico e persistentemente perigoso em que a União Europeia entrou. Hoje os europeus já são todos gregos, tal o desastre para que os que dominam a Europa os querem conduzir.
A missão imediata de todos os portugueses que se opõem à austeridade é garantir que o governo português deixa de ser um aliado do governo alemão e que passa a reforçar o campo dos que lutam por uma Europa de democracia, solidariedade e desenvolvimento.

O LIVRE/Tempo de Avançar denuncia o risco de desintegração europeia que a brutalidade exercida sobre a Grécia pode gerar, reafirma a sua solidariedade com as escolhas do povo grego e do seu Governo legítimo e promete continuar o seu combate por uma Europa digna e solidária, que, perante o cenário de devastação financeira que grassa numa parte dela, não pode deixar de refletir sobre os termos de uma reestruturação das dívidas nacionais e adotar soluções que garantam a coesão europeia e o desenvolvimento de todos os Estados Membros.

publicado por José Manuel Faria às 23:03

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