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Fev 14

 

 

(...) O que é que muda entre 2009 e 2011?

 

O governo deixou de ter maioria absoluta. Muitos socialistas entenderam que a coerência do BE, ao continuar a votar contra os PEC e a austeridade, estava a facilitar o jogo da direita. E há muitos socialistas que, ainda hoje, não aceitam que tenhamos feito isso. Há uma área socialista que perdeu confiança no BE. Isso justifica a perda de votos, tanto mais que nesse período, na aparência, o BE faz duas coisas contraditórias: apoia o Manuel Alegre e apresenta uma moção de censura. Do nosso ponto de vista fez todo o sentido, mas foi percebido como contraditório.(...)

 

Não há diálogo possível?

Tem de disputar-se a hegemonia política que o PS tem hoje em segmentos importantes da sociedade. O BE existe para isso. Não basta o BE e é preciso um BE maior, seguramente. A única solução para esse problema é deslocar o eixo de uma alternativa de esquerda.(...)

 

É inviável uma coligação do BE com este PS em 2015?

Bom, não sei como é que o PS chegará a 2015. Mas se o PS não abandonar, no plano interno e europeu, as políticas que constituem o edifício do Tratado Orçamental e do Tratado de Lisboa, é impossível entendermo-nos. E essa é uma opção de fundo. É por isso que nós contestamos o que diz Rui Tavares. Rui Tavares acha que é preciso ir governar com o PS. Nós não dizemos isso e não aceitamos isso. Governar com o PS é ir governar com a política do PS.(...)

 

O BE tem tido muitas saídas ao longo dos anos. A mais recente foi a de Ana Drago, que saiu da direcção. Que impacto é que essas saídas tiveram?

Não podemos valorizar, dentro e fora do BE, a pluralidade e depois não querer pagar o preço que essa pluralidade tem. Acho que tudo isso são elementos naturais da vida do BE, são momentos na vida de um partido e nada mais do que isso. Recentemente, em relação à Ana Drago, disse que são acidentes de percurso - isto não é desvalorizar o episódio, nem a pessoa. Eu pensei tantas horas nos argumentos da Ana Drago como ela. Agora, ela tem uma opinião, eu tenho outra, nada muda na opinião que tenho dela, e penso que nada muda na opinião que ela tem sobre mim. A Joana Amaral Dias é militante do Bloco, muitas vezes discorda, é verdade, mas se discordasse mais já não era militante. O Sá Fernandes e o Rui Tavares nunca foram militantes, não têm nenhum compromisso, estiveram com o BE e deixaram de estar. Aprendemos? Claro que aprendemos, esperamos que eles também tenham aprendido. Tenho muita pena que o Daniel Oliveira tenha saído do BE e acho que um dia se vai arrepender. O Daniel saiu a partir de uma construção caricatural do BE, que a própria vida veio demonstrar que não era verídica. Os argumentos que ele invoca não são razoáveis. A Ana Drago é uma situação diferente. Não tem razão: a Ana Drago considera que o BE não esteve bem neste processo da convergência e eu acho que fomos aos limites do razoável. Ela acha que eu estou enganado, mas há uma diferença: a maioria da direcção tem a minha opinião e é assim que se resolvem as coisas no Bloco. Mas acho que isto não vai alterar em nada a relação da Ana Drago com o BE.(...)

 

Não sente a sombra do antigo líder?

Eu sou amigo pessoal do Francisco, converso com o Francisco, mas ele não tem nenhum papel permanente de direcção. A coordenação é uma responsabilidade que já não é dele. Ponto final, parágrafo. E ele aceita isso perfeitamente. Aliás, era só o que faltava que não aceitasse, foi ele que quis sair, ele assumiu isso. Ao Francisco não falta o que fazer, nem politicamente, nem academicamente. É uma grande figura da política portuguesa e da esquerda portuguesa e as grandes figuras em geral são tão grandes que nem sombra fazem.(...)

 

jornal i

publicado por José Manuel Faria às 08:41

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