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Jan 15
 
Manuel Oliveira analisa as virtualidades do processo de convergência em curso, com o "Tempo de Avançar", de que é um dos animadores, e as perspetivas que se podem abrir para uma mudança política real.

A certa altura dos seus trabalhos, Einstein verificou que para avançar com a sua teoria seria necessário reconsiderar a análise Newtoniana do espaço, tempo e movimento. E foi o que fez com o êxito conhecido, inaugurando no início do século vinte o advento da física moderna.

Lembrei-me deste extraordinário exemplo de coragem e inconformismo ao constatar que, a escassos nove meses das eleições legislativas, a Esquerda parece adormecida e resignada a aceitar a “fatalidade histórica” que, mais uma vez, parece querer condenar o povo português a mais quatro anos de rotativismo politico (ou ao bloco central) que ao longo de décadas tem inquinado o nosso regime democrático e depauperado o país.

Num extremo, o PCP e o BE continuam com a sua estratégia de “tolerância zero” em relação ao PS. Bem sei que o PS não perde uma oportunidade para justificar essa estratégia (como aconteceu ainda recentemente, já sob a liderança de A.Costa, ao subscrever e votar conjuntamente com o PSD uma proposta que pretendia ver recuperadas as pensões vitalícias. Felizmente, o clamor popular e a intervenção do BE acabaram por gorar a iniciativa), e por isso compreendo a relutância em alterá-la. Todavia discordo dela, pois como é evidente, para alem de outras considerações, tem sido completamente inútil e contraproducente.

Mas, se o PCP e o BE estão mesmo convencidos de que esse é o melhor caminho e sendo tão próximos os seus pontos de vista sobre matérias essenciais, porque não juntam as suas forças? Porque não concorrem coligados numa CDU de nova geração? Porque desbaratam a possibilidade real de criarem uma força politica de grande envergadura que obrigaria o PS a pensar duas vezes e manteria em respeito toda a Direita?

No extremo oposto, e com origens politicas várias, encontram-se os “companheiros de viagem” do PS. Dizem eles que não há nada a esperar da Esquerda: os comunistas do PCP são sectários; a pequena burguesia urbana do BE é radical; e os restantes grupos são demasiado folclóricos. Basicamente defendem aquele aforismo popular “se não os podes vencer, junta-te a eles” e propõem constituir-se numa espécie de “Verdes” do PS, apelando desde já ao voto no PS com o fim de alcançarem a almejada e improvável ”maioria absoluta”. Ou seja, deliberadamente ignorando todo o historial do PS, querem fazer crer que são eles e o PS a única solução!
Evidentemente, esta arrogante “tese” não tem “ponta-por-onde-se-lhe-pegue” e, por isso, seria uma perda de tempo estar a demonstrá-lo. Mas talvez já valha a pena perguntar: Acreditando na vossa boa-fé, e sendo uma evidência que “entra pelos olhos dentro” que não têm uma expressão politica significativa que possa minimamente influenciar o PS a alterar as suas politicas e a recusar o bloco central, não acham que seria mais eficaz, então, procurar exercer a vossa influencia no interior do PS?

É verdade que a Esquerda tem a sua quota de responsabilidade pela situação a que chegamos. Mas só por má-fé ou miopia politica se pode ignorar o papel que tem hoje na defesa dos direitos dos trabalhadores, na resistência às políticas de direita, na defesa do regime democrático e na construção de um país melhor.

Felizmente, entre a intransigência politica inconsequente de uns e o conformismo político de outros está a surgir a vontade de convergência indispensável para a constituição de um Pólo de Esquerda (Tempo de Avançar) disponível para depois de sufragado, e na base de um compromisso programático público, integrar uma maioria parlamentar que suporte um governo liderado pelo PS. Não incluindo por razões conhecidas o PCP e o BE, não podemos dizer que esta seja a solução ideal mas é, sem dúvida, no quadro partidário actual a única possível.

São muitas as dificuldades para a concretização deste Tempo de Avançar. Não é fácil encontrar um denominador político comum às várias organizações que o integram; não é fácil desenhar um esquema organizativo e de funcionamento que seja simultaneamente ágil e democrático; não são fáceis as soluções jurídicas que têm de ser observadas. E também não me consta que exista algum Einstein no Movimento. E mesmo que se concretize, como espero, nada garante que eleja o número de deputados necessários, ou que o PS esteja disposto a assinar um compromisso político que implique uma alteração de algumas das suas políticas, ou mesmo que evite o PS de coligar-se com a Direita.

Ainda assim, a constituição deste Tempo de Avançar tem o mérito de ser a primeira tentativa séria para pôr fim ao rotativismo político e de colocar o PS perante as suas responsabilidades. E mesmo que não consiga atingir o seu principal objectivo, sempre ficam lançadas as sementes que mais tarde ou mais cedo acabarão por germinar. Só por isso já terá valido a pena.

Natal de 2014, Manuel Oliveira
publicado por José Manuel Faria às 22:52

comentário:
A ÚNICA atitude nova, é a de alguns cidadãos de Esquerda , se terem rendido ao bodo aos pobres...

As migalhas que o Costa estará disposto a dar, por tão prestimosa colaboração....

Anónimo a 7 de Janeiro de 2015 às 11:20

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