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Mar 18

Eugénio Silva

"Nos anais da política partidária sobejam muitos e diversificados exemplos de processos a propor a expulsão de militantes, acusando-os de traição e deslealdade, com argumentos de terem apoiado candidatos e candidaturas rebeldes, vindo, pouco tempo depois, a exigir aos mesmos militantes o voto incondicional no candidato rebelde do passado. O melhor exemplo encontra-se nas candidaturas de Manuel Alegre à Presidência da República, quando, em 2006 concorreu à revelia do PS e, em 2011, mereceu a candidatura oficial por essa força partidária. Há, também, os que mudam de partido, de forma radical. Como exemplos paradigmáticos, proponho os de Zita Seabra, quando esta abandona o PCP, partido de esquerda e de ideologia marxista/leninista, e ingressa no liberal PSD, um partido de direita, e o do revolucionário Durão Barroso, maoísta, que acaba a abraçar a social-democracia. Louve-se-lhes  a coerência, até hoje, não regressaram. 
Quanto àqueles que, logo eleitos, abjuram o partido, aceitam, depois, integrar listas em fações adversárias e ideologicamente antagónicas e, mais tarde, regressam ao partido de origem, os exemplos tornam-se raríssimos. São tão invulgares e singulares que não recordo nenhum exemplo mediático. Apenas conheci, há muito pouco tempo, um caso deste tipo protagonizado pelo PS-Vizela. Ocorreu-me, entretanto, que estes comportamentos simbolizam o puro mercenarismo político. Mas onde e quem resolve abonar estes camaleões da política? Decidem, de facto, em conclaves restritos e semi-secretos, os barões e as baronesas dos “aparelhos” partidários, divorciados das bases, despreocupados com possíveis impactos de imagens negativas junto do eleitorado, pensando que os cidadãos nada enxergam e cogitando que poderá passar por essa via supostas mais-valias políticas e renovações voltadas para o futuro. Creio ser puro engano. Essas decisões, muito para além de gerar desconfiança e potenciar uma significativa crise de segurança entre muitos partidários e simpatizantes, mostram, pelo contrário, o premiar a impunidade, a desorientação e a evidente ausência de critérios de sensatez e de valores superiores. É um verdadeiro desnorte absoluto.
É suposto que no interior dessas reuniões restritas não se atentará na regra de ouro de qualquer direção: saber para prever e prever para prevenir. Se assim fosse, nunca se cometeria um monumental erro crasso. Saberiam que o “perdão” político de um tão raro e singular caso é um “prémio” e acabará, inevitavelmente, a transformar outros acontecimentos relevantes, nomeadamente uma grave cisão interna protagonizada pelo MVS, em atos e pecados veniais. Saberiam que essa decisão acabará por se constituir em argumento de peso, na “jurisprudência” política necessária para que todos aqueles que, deliberadamente, renegaram o partido (ou venham a renegar) possam sempre regressar. Preveniriam a criação de uma autêntica via rápida, segura e sem portagens a tornar fácil o retorno de todos aqueles que, intencionalmente, abjuraram (ou venham a abjurar) o partido. Mas num colossal e maquiavélico exercício de saber para prever e prever para prevenir, não será mesmo isto que certos e obscuros interesses desejam que aconteça? O tempo futuro encarregar-se-á de validar (ou não) esta conjetura de ocasião.
Mas será que, do interior dessa desordem, pensarão ser possível que todos venham a esquecer agravos políticos? Certamente que não. É que tudo isso implicaria apagar uma memória, aquela que recuperamos quando se pretende olhar os atos do passado repletos de traição e deslealdade. E quando se pretende contextualizar uma história aquela memória é imprescindível para nos situarmos no presente. E essa memória quando está tão presente, tão fresca de recente, até dispensa a confirmação noutros meios de memória. E a História, a séria e verdadeira, anda sempre entrelaçada na procura do rigor e da verdade. Quererão, então, fazer-nos crer que o contrário é que será normal?
Mas será que, do interior desse desnorte absoluto, pensarão ser possível que todos venham a perdoar as afrontas dessa rara qualidade de camaleão político? Certamente que não. É que, para isso, seria necessário que o prevaricador se apresentasse arrependido à sociedade, mesmo para os ingénuos e clementes, os que sabem conceder perdão sem ressentimentos, desprovidos de ódios e de exigências de castigos. Quererão, porventura, fazer-nos crer que perdoar significa fechar os olhos aos erros, fingir que nada aconteceu e, tampouco, desculpar todo e qualquer erro a quem recusa reconhecê-lo contrito? 
Seja ou não seja desta maneira, desejo manifestar, na tripla qualidade de cidadão, político e militante, que não sou dado a perdões e esquecimentos. É que perdoar perdoa quem sabe e pode; e esquecer esquece todo aquele que há muito perdeu a dignidade.

rádio Vizela

publicado por José Manuel Faria às 12:01

8 comentários:
Vão ser todos perdoados pois é a maneira do PS ganhar mais uma câmara!
Até o JP vai fazer parte da lista ( se é que quer manter o tacho)
Pu....litiquices!!!!!!
Anónimo a 15 de Março de 2018 às 15:26

Não sei se entendi bem este sr., mas pareceu-me que com o jogo de palavras estava a querer dizer que não contem com ele numa hipotética futura candidatura de Vítor Hugo, pelo PS.
A ver vamos! É que o povo tem memória curta e o atual presidente parece dispor de muita massa para cativar o povo.
De qualquer modo, não sei de qualquer iniciativa para castigar os que se diziam socialistas, mas concorreram contra o PS.
Vão, ou não, ser expulsos?
João a 16 de Março de 2018 às 01:12

JMF está desatualizado, eu bem digo que o Sr. é só para o que lhe interessa, então não divulga o resultado do julgamento do Sr. Dinis Costa? já foi ontem? e apanhou castigo.
Se fosse do seu inimigo de estimação já estava escarrapachado iiiiiiiiiii com direito a foto.
JMF na escola que anda eu já lá fui professor.
Anónimo a 16 de Março de 2018 às 13:02

Qual foi o castigo???!!! Porque não o dizes tu ?????
Anónimo a 17 de Março de 2018 às 18:55

Eu não, eu já li, o Ruptura é que está sempre na primeira linha , coitado e não é que o homem apanhou castigo.
Anónimo a 18 de Março de 2018 às 10:15

Por mais que pense, que dê voltas e mais voltas não consigo entender aliás não sei como foi possível Vizela ter como Presidente Dinis Costa.
Um homem tão vazio, tão curto de inteligência, tão fútil, com tanta falta de personalidade, um homem tão "pequenino "para uma terra demasiado grande.
Anónimo a 20 de Março de 2018 às 22:32

Claro que não vão ser expulsos,caro João
Era menos uma câmara PS
E, como diz, o povo é de memória curta
Até já cá veio o padrinho!!!
Anónimo a 16 de Março de 2018 às 16:33

Tens toda a razão Eugénio. Isto vai de mal e pior!
Anónimo a 17 de Março de 2018 às 11:07

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