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O atual executivo municipal, saído, relembre-se, de um incompreensível acordo pós-eleitoral entre o “Movimento Vizela Sempre” (a dissidência do PS) e a coligação de direita (PSD/CDS) “Vizela É Para Todos”, persiste em tornar-se um caso sério de estudo, ao mostrar-nos, com recurso a inimagináveis modelos e referências de ação política e filosófica, a genuína arte de bem sofismar. Isto é e mais prosaicamente, a habilidade de bem travestir, falaciosamente, o negativo em positivo, o mau em bom, a mentira em verdade e a ilusão em realidade. O último exemplo, que nos foi apresentado é, por demais, paradigmático: urge rever o Plano Diretor Municipal (PDM), aprovado há pouco mais de 5 anos, uma vez mostrar-se que o prescrito nos artigos destinados à defesa e à salvaguarda do património edificado do centro histórico de Vizela estabelece, afinal, a sua elevada vulnerabilidade e a garantia da sua própria destruição. Em matéria de bem sofismar, estaremos, sem sombra de dúvida, perante uma inédita e brilhante tese.

Na realidade, este executivo municipal, impulsionado pelas boas graças de um já garantido financiamento de mais de dois milhões de euros, aprovado pelo anterior executivo socialista, destinado, apenas e só, a recuperar o edificado degradado no centro histórico de Vizela, pretende vir a alargar e a viabilizar, em toda a atual zona de salvaguarda, alterações na área e na cércea do seu pré-edificado, indo ao encontro de particulares interesses imobiliários. Com fina subtileza e perspicácia, uma das características dos sofistas, afirma a necessidade de se expurgar os interditos e as limitações do documento, pois “não se pode falar em requalificação urbana sem que haja um PDM devidamente adaptado a essa realidade”. Ora, como todos bem sabem, as conveniências particulares imobiliárias dificilmente se compaginam com os interesses coletivos, pelo que, em nome de uma ilusória “requalificação urbana”, teremos garantida uma dramática destruição do património urbano de Vizela, muito bem travestida de legal.
Nesta linha da argumentação política e filosófica, desenvolvida pelos sofistas do município vizelense, não espantará que, por exemplo: 
- perante as modelares práticas de conservação do património urbano seguidas pelo município vimaranense, os sofistas de Vizela venham a argumentar que, se copiadas, redundarão perniciosas para o património urbano de Vizela, mesmo que a cidade de Guimarães se tenha tornado em importantíssimo modelo referencial de conservação universal e se orgulhe, desde 2001, da classificação pela UNESCO como Património Mundial; 
- diante a irrepreensível política de reabilitação urbana adotada por Guimarães, assente na execução conjunta da requalificação e valorização do espaço público, na recuperação do edificado, no apoio técnico e financeiro à iniciativa privada, na manutenção da população residente e na salvaguarda e manutenção do pré-edificado em total respeito e observância das técnicas construtivas tradicionais, venham os sofistas de Vizela a alegar que não servirá de referência para Vizela, por ser nociva para o seu património urbano; 
- e perante a perfeita e correta ação política desenvolvida pelo município vimaranense na defesa e preservação do seu património urbano, facto essencial para a proteção da sua memória coletiva, constituindo-se, por sua vez, em património cultural, venham os sofistas de Vizela a argumentar que a sua reprodução em Vizela será funesta para a sua memória, cultura e identidade.
Como não sou sofista, sei que nunca conseguirei disfarçar a vergonha e o enorme embaraço quando confrontando pela destruição do património urbano de Vizela perpetrado pelos seus próprios filhos.  Por isso, tudo farei o que esteja ao meu alcance para que a história não venha a registá-los como aniquiladores das poucas referências ainda existentes da nossa memória coletiva. É que, permitam-me o desabafo, não foi para assistir a este desaforo que eu e muitos dos meus companheiros de luta do Movimento para a Restauração do Concelho de Vizela nos batemos, durante 25 anos ininterruptos, pela nossa autonomia administrativa.

Eugénio Silva.

publicado por José Manuel Faria às 11:56

8 comentários:
Assustador!

Será que vai haver uma guerrinha, com os nascidos em 1939?
João Dias Fernandes a 13 de Julho de 2018 às 09:02

Depois de ler este artigo, fiquei a perceber que não devemos ler este tipo de artigos, pois são aborrecidos, dão uma volta tão grande para dizer algo muito simples, utiliza linguagem muito Abstrata / snobe / complicada, mas o principal é que são artigos em que o autor desenvolve o raciocínio baseado na cabeça de outra pessoa. O debate poderia ser mais interessante nesta matéria, caso o autor informa-se o estado caótico em que alguns prédios se encontram e custos inerentes à recuperação dos mesmos pelos proprietários e claro que o aumento da cércea (sem descredibilizar e desvincular as fachadas) é uma forma impulsionar o investimento e a recuperação dos prédios devolutos. Façam politica pela positiva, pois ´só assim Vizela poderá atingir os patamares de outros municípios vizinhos...
Anónimo a 13 de Julho de 2018 às 09:58

Hotel sul americano, já teve só dois andares, Casino Peninsular, idem, edifício pertença dos bombeiros, antes da farmácia alves, idem, antigas finanças, idem.

Se formos a esmiuçar todas estas pequenas coisas ( e o eugénio sabe que eu tenho razão) este escrito (como alguém disse, snob, preconceituoso, cheio de "eu é que sou inteligente") não teria visto a luz do dia
Joaquim Inocêncio Carvalho (JIC) a 13 de Julho de 2018 às 23:02

É só olhar para a fotografia deste" poeta" que se avalia logo que tem voz do dono.
Este artista nasceu na Praça da República e bem sabe que existem prédios muito degradados, com tabique e construção muito pobre. O prédio onde nasceu, até pode ter traça e ser para preservar mas na antiga "feira dos porcos"são todos sem qualquer valor arquitetónico e ao fazer qualquer intervenção têm de ser alteradas as fachadas( mantendo a arquitetura) com outros materiais. E porque não alterar a cércea, senão for mais. com construção recuada.

Anónimo a 14 de Julho de 2018 às 23:54

Os únicos preocupados são:
O Eugénio e a Dora, o Eugénio mora no Porto e a Dora mora na Maia, deve lhes fazer uma diferença!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Isto é que é gostar da terra.
Anónimo a 16 de Julho de 2018 às 13:11

Este artista tem a voz do dono. E nasceu na Praça da República, no prédio da Ourivesaria Meira.
Quererá manter os prédios da antiga "feira dos porcos" com o aspecto tão degradante?
~É cada ejaculatória ?
Anónimo a 14 de Julho de 2018 às 23:58

Bem a pensar assim a Praça, (Lameira)deveria ainda hoje ser em terra e aquele coberto!!!!!!!!!!!, lembram se? os lampiões deveriam ser os antigos (verdes) muito mais bonitos do que os actuais, o jardim em terra, ó Eugénio onde andavas quando fizeram esta obra (cagada) na nossa Praça???? aí sim ninguém devia ter deixado fazer semelhante m.................. mas aí tudo se calou.
Temos uma Praça que é uma vergonha.
Anónimo a 18 de Julho de 2018 às 13:04

Há por aqui comentários de pessoas a soldo dos que ganham direta ou indiretamente com a construção civil. Claro que Eugénio Silva tem razão (exceto quando elogia os sofistas, porque não é preciso grande capacidade para enganar o povo) e é óbvio que aumentar a altura dos prédios vai desfigurar a vila, quer dizer, a cidade.
Silva a 15 de Julho de 2018 às 23:20

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